Em busca da ajuda de Donald Trump
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Lembrar Jair Bolsonaro e fazer-lhe as devidas vênias, porque desvincular-se dele seria impossível, naturalmente arriscado e poderia vir a lhe custar votos preciosos. Mas, ao mesmo tempo, seguir com a toada de que o filho é diferente do pai, é muito mais moderado do que ele, um Bolsonaro que o país tanto deseja ver.
A receita, de fato, agradaria a uma parcela do eleitorado que ainda se envergonha de se dizer de direita, mas talvez seja insuficiente para eleger Flávio — na verdade uma cópia encardida do pai, sem o carisma do pai e com um passado nebuloso à espera de ser investigado. Se não fosse o sangue que lhe corre nas veias, alguém pensaria em Flávio para presidente da República? Somente o pai pensou; a madrasta não, e os demais filhos concordaram.
Pensou-se em Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, mais pelo cargo que ocupa do que pelos resultados de sua gestão. Inexperiente como político, apenas uma marionete de Bolsonaro, Tarcísio vacilou. Faltou-lhe coragem. Inês está morta. Resta-lhe torcer em silêncio para que, em 2030, o cavalo encilhado bata de novo à sua porta.
O futuro da direita não bolsonarista passa pela derrota de Flávio. O futuro imediato de Flávio não depende unicamente do seu desempenho como candidato — depende do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República, do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal.
Flávio jogou parado até descobrirem suas ligações com o maior escândalo financeiro da história do Brasil. Coroa Brastel (1983), Papa Tudo (1994), Nacional (1995), Econômico (1995), Bamerindus (1997), Marka (1999), Banco Santos (2004), Mensalão do PT (2005), Petrolão (2014) — nada até aqui se compara ao Caso Master.
Para aumentar a infelicidade de Flávio, a avaliação do governo Lula vem melhorando gradualmente, segundo a mais recente pesquisa Datafolha. A diferença entre avaliação negativa e positiva encolheu: era de 11 pontos em abril (40% contra 29%), caiu para 9 pontos na primeira pesquisa de maio (39% a 30%) e chegou a 6 pontos na segunda (38% a 32%). Aprovação e desaprovação agora empatam em 48%. No levantamento anterior, 45% aprovavam o trabalho de Lula e 51% o desaprovavam.
Na simulação de primeiro turno, a vantagem de Lula sobre Flávio cresceu de 3 para 9 pontos percentuais. Carente de afeto, Flávio embarcou no domingo para os Estados Unidos com a esperança de ser recebido na Casa Branca pelo presidente Donald Trump e de ouvir dele palavras amigas.
Fonte: Blog do Noblat

