
Entre o silêncio institucional e a desconfiança pública, a credibilidade da Suprema Corte é colocada à prova
Olá caríssimos,
Há crises que se dissipam com transparência. Outras, ao contrário, se agravam quanto mais se tenta contê-las. O chamado Caso Master parece pertencer ao segundo grupo. A cada novo movimento, a cada nota evasiva, a cada gesto institucional calculado para “apagar incêndios”, o odor que se espalha é o da desconfiança, e ela é corrosiva quando atinge o coração do Judiciário.
O Supremo Tribunal Federal, guardião último da Constituição, deveria ser a instância onde paira a segurança jurídica, não a suspeita permanente. No entanto, o que se vê é um ambiente de tensão, versões desencontradas e a sensação de que há mais esforço para controlar danos do que para esclarecer fatos. Quando a sociedade percebe que perguntas legítimas não recebem
respostas claras, o resultado é previsível: a credibilidade sofre.
Não se trata de atacar a instituição em si, mas de reconhecer que instituições fortes não temem a luz. O STF não é infalível, nem deve se comportar como tal. Ao contrário: quanto maior o poder, maior a obrigação de prestar contas, explicar decisões e afastar qualquer sombra de conflito de interesses. O silêncio, nesse contexto, não é prudência, é ruído.
O problema se agrava quando a condução dos episódios passa a ser vista como corporativista. A impressão de que a toga protege a toga é devastadora para a confiança pública. A Justiça não pode parecer um clube fechado onde regras valem de forma elástica para uns e rígida para outros. Se assim for, a percepção popular, justa ou injusta, será a de que existe um “andar de cima” imune ao escrutínio.
“Quanto mais mexe, mais fede” não é apenas uma expressão popular; é um alerta político e institucional. Crises mal administradas não desaparecem, fermentam. E, no Brasil de hoje, em que a polarização já tensiona os limites da
convivência democrática, brincar com a confiança no Judiciário é acender fósforos num depósito de pólvora.
O STF ainda tem a chance de virar essa página com grandeza: transparência, comunicação direta com a sociedade e respeito irrestrito ao devido processo legal. Qualquer caminho diferente reforçará a sensação de que há algo a esconder. E, na vida pública, quando parece que fede, raramente é apenas impressão.

