3 de fevereiro de 2026
Ricardo Noblat

Tarcísio joga a toalha e estende o tapete à passagem de Flávio

Ganhar perdendo

Foto de leitor/ coluna Paulo Cappelli – Governador Tarcísio de Freiras e o senador Flávio Bolsonaro


Bolsonaro copiou a receita de Lula e deu certo. Aparentemente, deu certo. Até aqui, pelo menos.

Sustentou o quando pôde a história de que o candidato da direita a presidente em 2026 seria ele.

Quando não deu mais, escolheu o filho Flávio para substituí-lo. Foi o que Lula fez com Fernando Haddad em 2018.

É cedo para apostar que o resultado será o mesmo. Haddad foi para o segundo turno. Flávio irá? Hoje, iria.

Haddad só teve 26 dias para pedir votos antes do primeiro turno. A contar de hoje, Flávio terá 289 dias

Em 2018, Lula concluiu que o melhor seria ganhar perdendo. Haddad perdeu, mas o lulismo foi preservado.

À mesma conclusão chegou Bolsonaro. Com Flávio candidato, o bolsonarismo não desaparecerá.

Desapareceria se Bolsonaro apoiasse Tarcísio de Freitas ou qualquer outro candidato sem seu sobrenome.

O que faria Tarcísio caso se elegesse? Indultaria Bolsonaro como prometeu, mas em 2030 tentaria se reeleger.

O indulto liberta Bolsonaro, mas não o torna elegível. Ele está inelegível até completar 105 anos de idade.

Se derrotado no próximo ano, Flávio sairá da eleição com um capital político que o credencia a uma nova disputa em 2030.

Tarcísio parece conformado com a situação. Ontem, e pela primeira vez em público, disse que apoia Flávio e o elogiou.

De espantar é o fato de a candidatura de Tarcísio, incensada pelo Centrão, a Faria Lima e a mídia não ter resistido a um sopro.

Tarcísio e seus patrocinadores imaginaram ganhar com os votos que nunca foram deles. Quebraram a cara.

Fonte: Blog do Noblat 

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

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