Ganhar perdendo

Bolsonaro copiou a receita de Lula e deu certo. Aparentemente, deu certo. Até aqui, pelo menos.
Sustentou o quando pôde a história de que o candidato da direita a presidente em 2026 seria ele.
Quando não deu mais, escolheu o filho Flávio para substituí-lo. Foi o que Lula fez com Fernando Haddad em 2018.
É cedo para apostar que o resultado será o mesmo. Haddad foi para o segundo turno. Flávio irá? Hoje, iria.
Haddad só teve 26 dias para pedir votos antes do primeiro turno. A contar de hoje, Flávio terá 289 dias
Em 2018, Lula concluiu que o melhor seria ganhar perdendo. Haddad perdeu, mas o lulismo foi preservado.
À mesma conclusão chegou Bolsonaro. Com Flávio candidato, o bolsonarismo não desaparecerá.
Desapareceria se Bolsonaro apoiasse Tarcísio de Freitas ou qualquer outro candidato sem seu sobrenome.
O que faria Tarcísio caso se elegesse? Indultaria Bolsonaro como prometeu, mas em 2030 tentaria se reeleger.
O indulto liberta Bolsonaro, mas não o torna elegível. Ele está inelegível até completar 105 anos de idade.
Se derrotado no próximo ano, Flávio sairá da eleição com um capital político que o credencia a uma nova disputa em 2030.
Tarcísio parece conformado com a situação. Ontem, e pela primeira vez em público, disse que apoia Flávio e o elogiou.
De espantar é o fato de a candidatura de Tarcísio, incensada pelo Centrão, a Faria Lima e a mídia não ter resistido a um sopro.
Tarcísio e seus patrocinadores imaginaram ganhar com os votos que nunca foram deles. Quebraram a cara.
Fonte: Blog do Noblat

