31 de maio de 2026
Professor Taciano

Anistia: parlamento reage e contraria convicção de ministro do STF. Racha institucional à vista?

Quem tem boca diz o que quer, quem tem ouvidos ouve o que quer: nunca esta frase fez tanto sentido diante do cenário político e jurídico brasileiro.

O ministro Gilmar Mendes declarou recentemente ter convicção de que a proposta de anistia aos acusados de tentativa de golpe de estado não será votada no Congresso. Ora, quando um ministro da Suprema Corte se antecipa a decisões que caberiam exclusivamente ao Legislativo, o que se vê é mais uma demonstração de interferência e ativismo político que não deveria ter espaço dentro da mais alta instância do Judiciário.

Segundo o G1, Gilmar Mendes fez tais afirmações em um evento no Tuca, teatro da PUC-SP, em celebração ao Dia Internacional da Democracia. Reunião essa que, curiosamente, juntou artistas, intelectuais e políticos – justamente aqueles que sempre orbitam em torno do mesmo discurso ideológico. Falar em “defesa da democracia” nesses palcos soa mais como retórica para plateia do que compromisso real com a pluralidade e a independência entre os Poderes.

Mais grave ainda foi a tentativa de legitimar a condenação do ex-presidente Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, definida pela Primeira Turma do STF. Gilmar, mesmo sem participar do julgamento, apressou-se em classificá-lo como “absolutamente regular”.

Se até os EUA questionaram a condução do processo, será que toda a nação deve simplesmente aceitar, sem direito a dúvida ou reflexão, uma decisão marcada pela velocidade e pela aparência de perseguição?

Para contrariar o decano, os deputados da oposição comemoraram a aprovação da urgência do projeto na noite dessa quarta-feira. O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 311 votos favoráveis, 163 contrários e sete abstenções, a urgência do projeto que anistia os condenados por atos antidemocráticos.

A decisão representa um avanço significativo na articulação da oposição e demonstra que o Parlamento não está disposto a se curvar diante de previsões ou convicções emanadas do STF.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, ao convocar a sessão e colocar o requerimento como único item da pauta, destacou que “o Brasil precisa de pacificação e de um futuro construído em bases de diálogo e respeito”. A declaração, embora política, contrasta diretamente com o tom de imposição adotado pelo ministro Gilmar Mendes. Cabe lembrar que, em um regime democrático, é o Legislativo quem deve refletir a soberania popular, e não o Judiciário, que deveria se limitar à guarda da Constituição.

O PL da Anistia é visto pela oposição como forma de estender o benefício ao ex-presidente Bolsonaro, condenado recentemente pelo STF. Se o debate deve ou não prosperar, isso cabe ao Parlamento decidir – e não a ministros que, ao assumirem discursos de caráter político, afastam-se cada vez mais da imparcialidade que o cargo exige.

O STF, que deveria ser guardião da Constituição, parece cada vez mais envolvido em disputas políticas e menos preocupado com a neutralidade que a Justiça exige. Democracia não se sustenta apenas em discursos inflamados ou em palcos de universidades; sustenta-se na separação dos Poderes, no respeito ao contraditório e na garantia de direitos iguais para todos – inclusive para quem pensa diferente.

No fim, resta ao povo refletir: quem tem boca pode dizer o que quiser, mas quem tem ouvidos precisa ter coragem para não se deixar manipular por narrativas que se escondem atrás da palavra “democracia”.

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

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