3 de março de 2024
Colunistas Walter Navarro

Por você e pelo Brasil

Velha, mas boa: Joãozinho foi preso e, na delegacia, diz: “Meu irmão é da Assembleia de Brasília, minha irmã promotora e meu pai procurador! Foi solto.
Na saída, o policial pede mais explicações e Joãozinho: “Meu irmão é da Assembleia de Deus, minha irmã promotora da Avon e meu pai, procurador de emprego”.
Velha, mas ótima: o mesmo Joãozinho, meu ídolo e farol, indagado pelo professor, diz que seu pai é travesti. No final da aula, longe dos colegas, ele confessa ao professor: “Meu pai não é travesti, mas tenho vergonha de falar que ele é deputado federal.

Ainda não tenho vergonha de ser jornalista porque, há dez anos fora do Jornalismo, só escrevo o que quero, aqui e para poucos. Tenho vergonha é dos meus colegas que esqueceram as aulas de Ética na PUC/MG.

Jornalistas de verdade, hoje, não têm emprego. Vivem de esmola e PIX, no YouTube, de preferência escondidos nos Estados Unidos.

Impressionante como os jornalistas, mais que nunca, estão vendidos ou reféns dos patrões. Mentindo ou omitindo. Deveriam ganhar dinheiro como travestis, seria bem mais honesto.

Mas não é só a imprensa que nega a realidade das ruas, como se milhões de brasileiros não existissem. Como se o Brasil fosse um jardim.

Mais um exemplo! Em suas edições especiais e limitadas, a Coca-Cola estampa em suas latinhas, a seguinte campanha: “Se o Brasil ganhar (a Copa do Mundo, claro), não falo mais sobre ex”. “Se o Brasil ganhar, pago a próxima rodada”. E continua: “Publico uma foto sem filtro”; “Entro na Academia”; “Lavo a louça por um ano”; “Me caso”.

E vocês? O que fariam se o Brasil ganhar a Copa do Mundo? E o que fariam se o Brasil ganhar a guerra contra o mundo?

Sábado, no restaurante Pavarotti, em Barbacena, tinha música ao vivo, que odeio, mas com bom repertório, incluindo Frejat, jurando: “Por você eu dançaria tango no teto. Eu limparia os trilhos do metrô. Eu iria a pé do Rio a Salvador”.

O saudoso, Chico Buarque, cantava que “um homem pode ir ao fundo do fundo, do fundo, se for por você. Um homem pode tapar os buracos do mundo se for por você”.

O que um homem não faz pelo amor de uma mulher, certo? E o que nós deveríamos fazer pelo Brasil?

O Frejat, “viajaria a prazo pro inferno e tomaria banho gelado no inverno. Deixaria de beber, viveria em greve de fome e desejaria, todo dia, a mesma mulher”.

Pro Chico, um “homem constrói sete usinas, usando a energia que vem de você; conduz a alegria que sai das turbinas de volta a você e cria o moto-contínuo”.

Promessa de mãe dá certo, por isto ainda estou vivo.

Antes do segundo turno, minha irmã Nívea me fez prometer cortar os cabelos, se Bolsonaro vencesse. Eu disse que rasparia tudo, mesmo ganhando cara, cabeça de ovo e de piroca.

Agora, prometo mais nada. Vou continuar bebendo, até Coca-Cola. Não vou a pé pra Salvador e muito menos tapar os buracos do mundo.

Promessa é para coisas, causas e pessoas impossíveis. Quero nada demais; sou realista e só exijo a verdade, o possível, o correto.

Mentira! Prometo sim. Copa do Mundo, nós já temos cinco, Brasil, só um.

Se vencermos, se o Brasil ganhar o Brasil de novo; prometo continuar acreditando na Justiça. Não esta que está aí, cega, paralítica e estuprada, mas aquela que está acima de tudo e de todos.

PS: Agora, com permisso, vou pegar a cruz que encomendei. 22 beijos e abraços.

Walter Navarro

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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