28 de maio de 2022
Walter Navarro

O Velho Ney e o Mar


Não, não é o Ney Matogrosso, mas pra rimar com Ney, jogo um Hemingway, talkey?
100% ao acaso ou ocaso, escrevo ao som de Sting – A Touch of Jazz.
Nunca imaginei escrever sobre a vida sexual do Neymar. Nem mesmo quando ele “batia o cipó” na cara linda da Bruna Marquezine.
Este “affaire” Neymar ressuscitou a máxima de Bertold Brecht, “infeliz o país que precisa de heróis”.
E sou obrigado a completar: infeliz o país que, além de precisar de heróis como o Capitão Sul América, Jair Bolsonaro; precisa de anti-heróis como Macunaíma e Neymar.
Quanta pobreza!
Tanta coisa infinitamente mais importante e um país inteiro falando do bobo Neymar e sua “pistoleira”; como se este país fosse o da Alice.
Dá vergonha!
Até eu rendi-me ao assunto, espero que com outro enfoque.
O enfoque do humor, por exemplo. Se existe uma coisa que o Brasil não perde é o bom humor, mesmo com todo o imbecil politicamente correto mordendo suas canelas.
Tem aquela clássica piada, pela qual espero não ser denunciado e processado por homofobia, mesmo porque ela está disponível no maravilhoso mundo da Web.
Um machão enrustido, apaixonado por seu bofe, decide ter relações sexuais com o rapaz em um lugar exótico. Decide então levá-lo para a zona rural. Chegando sob uma ponte a “moça” abaixa seu shorts amarelo curtinho, e ordena:
– Põe Jorge!
Quando Jorge começa pra valer, chega uma senhorinha gritando:
– Ei! Parem com isso agora! Senão eu chamo a polícia!
A biba:
– Dona, este rio que passa por baixo da ponte, é seu?
– Não!
Essa ponte? É sua?
– Não!
Essas terra são suas?
– Também não!
Aí, ele vira para o Jorge e diz:
– Põe Jorge!
A velhinha magoada chama o marido e acontece o mesmo interrogatório. O velhinho chama a polícia e acontece tudo novamente. A polícia chama o governo e tudo se repete, até que o dono da fazenda surge.
– Saiam desse local imediatamente, que pouca vergonha é essa aqui?
– Tira Jorge! Ôooo moço! Esta fazenda é sua?
– Sim!
E essa ponte? É sua?
– Sim!
E esse rio aqui? É seu?
– Tudo aqui é meu!
– E o cu? É SEU?
– Não!
– Então, Põe JORGE!
O dinheiro é do Neymar? O tesão e a tara são do Neymar? O pau é do Neymar? O mundo é do Neymar?
Então:
– Põe, Neymar. Põe e, no caso, deponha, Neymar…
Só uma coisa é inadmissível: a violência! De ambos os lados. Se existe a lei Maria da Penha, deveria também haver a Maria da Pemba! Afinal, é igualdade ou não o que todos queremos?
Pelos vídeos que vi, só o Neymar apanhou. Tem gente que gosta, mas se ele bateu e apanhou, ambos merecem punição, ambos se merecem ou bem feito para os dois.
Voltemos ao intuito deste inimaginável texto, as piadas sobre o caso.
A melhor que recebi foi, modéstia às favas e às picas, a que reflete meu primo pensamento: “Neymar é a única pessoa que mora na França e pede marmitex no Brasil”.
Levar sanduíche de mortadela pro restaurante do chef Marc Veyrat, kkkkkkkkkkkkk.
Fala sério, como falava o Bussunda!
O cara está na cidade mais linda do mundo, com as coisas e as mulheres mais lindas do mundo, de todo o mundo e pede aquela loura fim de festa?
Misericórdia!
Deus dá sorte a quem não sabe e não quer voar.
OK! Até caviar, todo dia, enjoa! Às vezes, como no filme “Alfie”, o Jude Law tem vontade de comer mortadela (de novo). Mas daí, entrar numa fria, por causa de uma mulher daquelas? Oxigenada, siliconada…
Se ainda fosse uma brasileira típica e de verdade… Porque, brasileiro na França, tem isso também. A pessoa está no Reino da Culinária há apenas uma semana e já sente saudade de feijoada e guaraná… Cansei de ver e lamentar isso.
Em Roma, faça como os romanos. Em Paris, faça como os gauleses.
Será que Neymar, na ânsia de, na dependência de, manda vir do Brasil; caldo de cana, vinho gaúcho e coxinha de catupiry? “Je ne crois pas!”.
Quando a gente prova um bom vinho é impossível descer à coisa inferior. Pode até bater o lance do caviar todo dia e mortadela de quando em vez, mas qualidade é qualidade. Isso serve também para relações perigosas e amorosas que rimam deveras.
O problema, como diriam Freud e Caetano Veloso, é “que a gente não sabe o lugar certo onde colocar o desejo”. Ou Oscar Wilde: “Resisto a tudo, menos às tentações”.
E incorporando meu farol Nelson Rodrigues… O conhaque me fez esquecer….
Mas adapto outra, pra terminar: “Toda mulher gosta de Neymar, só as neuróticas reagem…”.
PS: E não mais que de repente, passo de Sting, para Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. My God! Por que me fez tão perfeito?

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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