2 de julho de 2022
Walter Navarro

O Cálice nos Tempos do Cólera


Quem gosta de falar em corda, na Casa do Tiradentes, deveria discutir as peripécias de Al Capone e dos Irmãos Metralha num congresso do PT.
Nunca se falou tanto em ditadura, censura e tortura como agora. Talvez porque as três coisas acontecem tanto ou muito mais nas ditaduras ditas de esquerda.
Já falei e repito que abomino qualquer ditadura, como cidadão; toda censura, enquanto jornalista e tortura física, mental ou sentimental, como ser humano.
Toda nudez será castigada e todo abuso é cometido, a torto e a direito. Talvez porque, mesmo não parecendo, não dando muita pinta, ditadores também tiveram mãe e são feitos de carne e ossos.
Por natureza, somos maus. As guerras estão aí, desde os primórdios, e não me deixam mentir ou dizer que eu sabia de nada.
Gosto muito do jornalista Ariel Palácios, correspondente de vários canais a cabo da Globo, em Buenos Aires.
Somos “amigos” aqui no Facebook.
Já o entrevistei e comprovei sua simpatia, gentileza, cultura e inteligência; seu bom humor. Um boa praça total.
No melhor estilo “é virgem, só que morou no Rio”, Ariel é ótimo, só que trabalha na Globo. E a lei na emissora é deitar a borduna no governo Bolsonaro, um bebê de três meses de idade.
Hoje, na página do bom Ariel, ele postou sua participação no Programa “Em Pauta”, da Globonews, com o tema: “América Latina – lado B: os livros proibidos pela ditadura militar na………………………………………………… Argentina”. Kkkkkkkkkkk.
Bizarro e hilário? Coincidência?
Com a habilidade e graça de sempre, Ariel disse que a ditadura militar argentina censurou, como subversivo, entre muitos outros, o livro preferido das antigas misses, “O Pequeno Príncipe” (1943), do escritor e aviador francês, Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944).
Uma pena. A vida de Saint-Exupéry é tão maravilhosa e curta que daria um belo longa.
Censurar “O Pequeno Príncipe”, por subversão é, no mínimo, ridículo. Como é patético, o que o imbecil politicamente correto, num destes governos petistas, tentou fazer; censurar os livros de Monteiro Lobato (1882-1948), por racismo! Logo Monteiro Lobato, humanista de primeira hora que embalou e berçou (acalentou) infinitas gerações de crianças, inclusive a minha.
Este povo não tem “loção”! Como diria minha amiga Izabela.
Na pauta do “Em Pauta”, depois da participação de Ariel, os jornalistas fizeram um apanhado, claro, de livros, tolamente censurados, durante a “ditadura militar no Brasil”.
Eu mesmo sei de um caso. Não sei se procede, mas é ótimo. A censura do livro “O Vermelho e o Negro” (1830) do também francês, Stendhal (1783-1842). Censurado, claro, pelo “vermelho” comunista no título, kkkkkkk.
Lembro me e lamento também de vários outros casos de estúpida censura na música, no cinema, etc.
Toda censura é imbecil, nociva e inútil. Mas, pelo menos, naquela época, “anos de chumbo” e “entulho autoritário”, ela era clara, direta e sem vergonha.
Para mim, muito pior, é a censura escondida, camuflada no mesmo politicamente correto, covarde, traiçoeira e disfarçada de liberdade; desde este troço chamado Constituição de 1988.
Como assim? Censura nos meios de comunicação, depois da “terrível ditadura militar”?
Sim, excelências.
E uma censura que provoca a pior de todas, a autocensura!
A censura neste “novo” Brasil é lobo em pele de cordeiro. Primeiro, porque até piada de papagaio virou crime.
É econômica. Ai de quem desagradar leitores e anunciantes.
E claro, política. Ai do idiota que criticar governos que enchem as mídias de anúncio$.
E sobre isso, ninguém fala pissirongas! Ai de quem escrever ou denunciar. Afinal, umas das marcas registradas de toda democracia é a liberdade de expressão.
E quem faz o trabalho sujo da censura? Os bons costumes, a caretice, a burrice, a mediocridade, a desonestidade intelectual; as leis do mesmo politicamente correto que tanto perseguiram o Bolsonaro, taxando-o de machista, racista, homofóbico, misógino, nazista, burro, tosco, etc.
Na “ditadura militar”, eles prendiam, exilavam, etc, burra e violentamente, mas às claras. Tanto que a Globo cita até nomes que já estavam na lata de lixo, no limbo da História.
A censura, hoje, é muito mais cruel e “esperta”; faz se de boazinha, de correta, mas mata mais “que bala de carabina, que veneno ‘estriquinina’, que peixeira de baiano, que atropelamento de ‘automóver’. Mata mais que bala de ‘revórver’”. Né Adoniran?
A censura, hoje, não rabisca textos, apaga o escritor.
PS: Quando se extermina o joio, resta só o trigo pasteurizado, branquinho, bonzinho, bonitinho, mas ordinário.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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