MCMXXIII o ano que terminou


“Menina das duas tranças, deixe o meu filhinho em paz, que ele ainda é muito criança pras coisas que você faz. Baixe seu olhar escuro, cubra esse peitinho em flor, que ele ainda não está maduro.
Pra essa escuridão de amor. Vá-se embora, t’esconjuro! Deixe o filho meu. Basta neste negro mundo o que o pai sofreu”.
“Menina das duas tranças, deixe o meu paizinho em paz, que ele não é mais criança, pras coisas que você faz. Pare de deitar quebranto, chega dessa mostração, que meu pai já sofreu tanto, só viveu desilusão. Vá-se embora t’esconjuro! Deixe em paz meu pai. Mais que o seu olhar escuro, é pra onde ele vai”.
Segundo a Wikipédia, que vive incompleta e às vezes, inocente, sabe de nada, 1923 foi um ano comum do Século 20 do calendário gregoriano. Teve início numa segunda-feira e terminou também numa segunda-feira. Não avisei no título? Já no calendário rúnico é 2173. E não se fala mais nisso.
Os principais eventos de 1923, no Brasil, foram a aprovação da Lei Eloy Chaves, dia 24 de janeiro, que consolidou a base do sistema previdenciário brasileiro. Isso me lembra alguma coisa da Previdência…
Dia seguinte, a posse Borges de Medeiros no Rio Grande do Sul leva ao conflito armado conhecido como Revolução de 1923. Aposto que só o Eduardo Bueno sabia disso…
No dia 23 de março foi encerrada a Exposição Internacional do Centenário da Independência, iniciada em 7 de setembro do ano anterior e realizada no Rio de Janeiro.
É! O ano anterior foi mais agitado, teve a Semana de Arte Moderna, em São Paulo.
Dia 20 de abril foi fundada a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, a primeira emissora de radiofusão do Brasil.
Dia 13 de agosto, inaugurado o hotel Copacabana Palace no Rio de Janeiro.
Dia 31 de outubro, quando os pais de Carlos Drummond de Andrade comemoravam seu aniversário de 11 anos, foi aprovada a Lei Adolfo Gordo para combater a liberdade de imprensa. Hoje seria Lei Adolfo Obeso Mórbido.
Finalmente, no dia 14 de dezembro, assinado o Pacto de Pedras Altas, terminado a revolução no Rio Grande do Sul, aquela, que só o Eduardo Bueno conhecia.
Essa é boa e sem data, mas sempre em 1923: No futebol, o Vasco, fundado por portugueses, após chegar a primeira divisão carioca, ganha o campeonato com um time de negros, operários e analfabetos, chocando os clubes tradicionais (Flamengo, Fluminense e Botafogo) que só aceitavam atletas da elite. Tanto que, dia 23 de julho, do mesmo ano, foi fundado no Rio, o River Futebol Clube. Bem feito!
Mas e no mundo? O que aconteceu de mais importante?
Dia 2 de agosto, morre o presidente dos Estados Unidos, Warren G. Harding e seu vice-presidente Calvin Coolidge sai do armário, quer dizer, assume, até o 1929, de sinistra memória.
Em 1º de setembro, um terremoto no Japão mata mais de 100 000 e deixa 1,9 milhões de feridos e desalojados, além de destruir a cidade de Yokohama. Mal sabiam eles de Hiroshima e Nagasaki…
Dia 16 de outubro, fundada a The Walt Disney Company. Dia 29, proclamação da República da Turquia.
8 de novembro “putsch” da Cervejaria ou “putsch” de Munique, uma tentativa frustrada de golpe por um tal de Adolf Hitler.
Em 1923 nasceram a Portela, o jornalista Flávio Cavalcanti; meu ídolo máximo, Costinha; as cantoras Isaurinha Garcia, Emilinha Borba e Maria Callas; os escritores Norman Mailer, Lygia Fagundes Telles, Millôr Fernandes e Fernando Sabino; os pintores Roy Lichtenstein, Antoni Tàpies e Ivan Serpa; Rainier III, príncipe de Mônaco e Shimon Peres, presidente de Israel e Nobel da Paz.
No mesmo ano, morreram Ruy Barbosa e os “famosos” presidentes o supracitado Harding e o brasileiro Hermes da Fonseca.
PS: Ah! Quase esqueci… Dia 18 de julho de 1923, nasceu meu pai, em Barbacena, Minas Gerais. Se não tivesse morrido em 2001, hoje faria 96 anos. Um beijo, “mon cher” e continua com Deus.

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