23 de maio de 2022
Walter Navarro

Cláudia Ohana e o Desmatamento, Bruna e o Surf


A única coisa de errada que o presidente Jair Bolsonaro fez, até agora, foi acabar com o Horário de Verão, que eu adorava. Mas, se for para Construir um Brasil Melhor, abro mão também do outono, inverno e até da prima Vera!
Pausa para confessar: Como amo escrever “Presidente Jair Bolsonaro”!
Ontem desbravei a Paraíba. Hoje, como prometido, comento os últimos “escândalos” de Bolsonaro: o fim da Amazônia e a prancha rosa da Bruna Surfistinha.
Hoje, fotografando até a alma com telefones celulares, todo mundo se acha o Cartier-Bresson do Instagram.
No Facebook, este divã de pobre, nunca vi tanto especialista em política, economia, comportamento, arte, cultura e principalmente abobrinha.
Os órfãos de Claudia Ohana e Vera Fischer acham que a Amazônia vai virar uma imensa Serra Pelada.
E é bom já ir acostumando. O homem está certo, mas Bolsonaro só não pode cortar árvores! Aí eu brigo.
Até achei a punição certa para os hackers de Araraquara: degredá-los para a selva; vigiar o desmatamento do alto daquelas cabanas em torres de madeira. Sem Wi-Fi.
Só mesmo no Brasil, hackers querendo espionar o James Bond…
Quando eu era criança pequena, não em Barbacena, mas em Campinas, sempre passava uma Kombi anunciando e vendendo a famosa “pamonha de Piracicaba”.
Agora vejo que a terra destes pamonhas é Araraquara.
Tudo bem, dancei, o chefe dos hackers é um tal de Walter. Agora, bom mesmo é o nome de sua assecla: Suelen Priscila…
Vejam o nível dos espiões. Pelo menos, Walther PPK era a pistola do 007. Mas Suelen Priscila?
Uma vez vi um cara usando uma camiseta verde, onde se lia, na parte da frente: “A Amazônia está acabando…”. Achei aquilo seríssimo. Aí, ele virou-se e nas costas li: “…Foda-se! Eu não moro lá”.
Calma minha gente! É só mais uma piada. Fiquem tranquilos que, por mim, a Amazônia vai continuar peludinha. Eu não chupo terra…
Por falar em chupar, passemos à Bruna Surfistinha.
Com Lula segurando as grades e mordendo fronha, pode-se contar nos dedos de suas mãos larápias, o número de bons filmes brasileiros.
Claro que tem coisa boa. Mas, filme bom, aqui, nem distribuído é. O Brasil vive de comédias idiotas oriundas de roteiristas e atores globais, que rimam com débeis mentais.
Bolsonaro está certo, de novo. O filme, “Bruna Surfistinha” é pornográfico sim. Eu vi. E daí?
O cara é quer fazer filme pornô? Ótimo! Adoro! Mas que faça com o dinheiro dele ou da iniciativa privada.
O sinônimo da Embrafilme, de sinistra memória, era “Cobertura na zona sul do Rio com vista para o mar”. Muito cineasta ficou rico mamando nas tetas murchas da Embrafilme.
E o cinema brasileiro, quando acordou com o Cinema Novo, tinha outro mote, da lavra de Paulo Francis: “O filme é uma merda, mas o diretor é genial”.
O último filme brasileiro bom foi “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, nossa única Palma de Ouro em Cannes, 1962, ano em que fui inaugurado.
“Assalto ao Trem Pagador” de Roberto Farias, também é bom e de 1962. A trilogia do Arnaldo Jabor: “Toda nudez Será Castigada” (1973), “O Casamento” (1976) e “Tudo Bem” (1978), também estão nos dedos do Lula. “Eu Te Amo” (1981) também é bacana.
Para juntar o tema Amazônia com cinema, outro filme que respeito muito: “Cronicamente Inviável” (2000), do Sérgio Bianchi.
O filme, tecnicamente, envelheceu muito. Mas o tema, ainda é válido, mostrando e provando que, até o ano passado, o Brasil era mesmo cronicamente inviável.
Recomendo-o vivamente. Uma aula de Brasil que não cabe aqui.
O mesmo Sérgio Bianchi fez outro filme – este ainda não vi – sobre os podres, a máfia das ONGs: “Quanto Vale ou é Por Quilo?” (2005). ONGs que Bolsonaro quer e vai acabar na Amazônia. ONGs tipo Embrafilme e Ancine que viraram meio de vida de muito vagabundo.
“Isso me faz lembrar a conhecida frase de um escritor alemão e simpatizante do nazismo, Hanns Johst. A passagem foi durante muito tempo, erroneamente, atribuída aos colaboradores diretos de Hitler – como Goebbels ou Göering, mas dizia o seguinte: ‘Quando ouço a palavra cultura, saco meu revólver’”.
Aí, veio o gênio Millôr Fernandes e solta: “Quando ouço falar em cultura, saco logo do meu talão de cheques”.
Tão Brasil!
Repito: sou totalmente contra a censura que rima com tortura. Mas, quer ganhar dinheiro com pornografia? Assuma os custos.
Há muito os cineastas brasileiros descobriram que palavrão, pobreza, violência e mulher pelada eram os meios mais fáceis de atrair público e capricharam.
Nelson Rodrigues, que se apresentava como “O Anjo Pornográfico” – nome de sua maravilhosa biografia, por Ruy Castro” – nunca escreveu um só palavrão e era taxado de reacionário pra cima. Nelson sabia que a maldade está, não na palavra, mas na cabeça das pessoas, na vida como ela é…
Muita gente usou Nelson Rodrigues para fazer arte, como Arnaldo Jabor e Neville d’Almeida, mas também pra rodar pornografia das mais comerciais.
Por ironia, foi durante o período militar quando mais se fez pornografia no cinema, as famosas pornochanchadas. Desculpa esfarrapada. Como não sabiam driblar a censura com obras de arte, tome palavrão e mulher pelada. E muitos atores, muitas atrizes, muita gente boa trabalhou nestes filmes, para mim, divertidos até hoje.
A MPB sabia enganar a censura idiota daquela época. Peguemos o exemplo mais famoso, o melhor exemplo: Chico Buarque.
Chico nunca foi tão criativo quanto na “ditadura” que ele tanto combateu, para hoje ser um dos mais chatos petistas.
A necessidade é a mãe da criatividade. Até pseudônimos, como Julinho da Adelaide, Chico usava para passar suas “mensagens”.
Hoje, na tão cantada e decantada democracia, o que temos na música? Anitta e Pabllo Vittar… Sacaram as letras duplas para conferir profundidade de pires?
Vejam aonde fomos parar e acabar… Se ainda fosse em Irajá!
A retomada do cinema brasileiro, dizem, começou com uma merda de filme, chamado “Carlota Joaquina” (1995), de Carla Camurati que, antes, como atriz, mostrou muito seus lindos e enormes peitos nas telonas.
“Carlota Joaquina” bebeu na mesma fonte do escracho, para fazer bilheteria. E transformou nosso grande estadista, D. João VI, num porco gordo sujo comedor de frangos.
Isso aqui é assunto para mais 1001 e uma noites. Por isso, vou tentar parar.
Na esteira de um bosta governador petista, inventaram outra confusão, com Bolsonaro inaugurando o aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista, Bahia.
Glauber é o outro nome do Cinema Novo, filho de Vitória da Conquista.
Genial para uns, um chato delirante para muitos outros. Eu gosto. O certo é que não era para principiantes.
Sua overdose de lucidez virou loucura e, aos 42 anos morreu em 1981. Por natureza, Glauber era um revolucionário, panfletário, tropicalista, antropofágico de esquerda.
Resumindo, Glauber caiu em desgraça na esquerda festiva, quando, profeticamente, chamou o general Golbery do Couto e Silva, de “Gênio da Raça”, em 1974.
Golbery estava mais para Maquiavel e Frankenstein. Foi ele quem – para dividir a esquerda e destruí-la por dentro – criou Lula, que inventou o PT, que acabou com o Brasil que Glauber tanto amou.
PS: para terminar com Glauber: “O pior inimigo da arte revolucionária é sua mediocridade”.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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