Capitu era uma vagaba ou Bentinho era viado


Fudeu!
Há 69 anos, em todo período momesco, “baixa” a Vanusa em mim e saio cantando: “Hoje eu vou mudar/Vasculhar minhas gavetas/Jogar fora sentimentos/E ressentimentos tolos/Fazer limpeza no armário/Retirar traças e teias/E angústias da minha mente/Parar de sofrer/Por coisas tão pequeninas/Deixar de ser menina. Pra ser mulher!/Hoje eu vou mudar…”.
Chorei, até ficar com dó de mim!
Numa destas gavetas mais antigas do passado, resolvi dar cabo de velhos jornais e outras tralhas, numa fogueira de Santa Inquisição.
Chuuuuuuupa, Torquemada!
Nero pode ser inocente, mas assumo meu lado incendiário. Adoro fogo. As “mina pira com minha piromania”!
E nada melhor para uma fogueira das vaidades que jornal velho.
Depois de uma fugaz triagem, peguei os mais amarelados pelo tempo e mandei ver.
Todavia e cotovia, meus olhos de lince salvaram das chamas a seguinte e maravilhosa chamada, na primeira página da Folha de São Paulo, de Sexta Feira, 25 de junho de 1999: “O Veredicto – Capitu Absolvida – Cem anos depois, juiz absolve personagem do romance ‘Dom Casmurro’, acusada de trair o marido Bentinho”.
Será preciso explicar ao desvairado leitor ou airada leitora, quem é a vadia Capitu que chifrou o Corno Bentinho com o Canalha do Escobar?
Escreveu Marcos Augusto Gonçalves, Editor de Domingo da Folha: “Um século depois de vir a público, foi julgado e sentenciado o rumoroso caso relatado pelo sr. Bento Santiago, o Bentinho, no romance ‘Dom Casmurro’, de Machado de Assis. A centenária querela, envolvendo a suspeita de adultério da mulher do narrador, Maria Capitolina Pádua, a Capitu, com o amigo Escobar, foi decidida em julgamento ‘jurídico e literário’ realizado na última segunda-feira no auditório deste jornal”.
Adivinhem que jurista, à época, ministro do Supremo Tribunal Federal, considerou “os argumentos apresentados e decidiu pela absolvição, não apenas por insuficiência de provas, mas por inconstitucionalidade dos dispositivos legais da época à luz da atual ordem constitucional”?
(José Paulo) Sepúlveda Pertence, o novo advogado de Lula!
Fudeu ou não fudeu?
“Apesar da absolvição, Sepúlveda Pertence declarou sua convicção pessoal de que ocorreu o adultério: ‘Não sei, se devesse votar secretamente num júri, se resistiria à minha convicção íntima moral de que existiu o adultério. Mas devo agir aqui como juiz profissional, impedido de decidir por consciência e obrigado a decidir conforme as provas'”.
Fudeu ou não?
E sabem quem acusava Capitu, aquela “bisca” devassa?
O “saudoso” advogado de sinistra memória, Márcio Thomaz “Turbando” Bastos, ex-presidente da OAB, e ex ministro da Justiça de Lula!
Sepúlveda venceu Bastos. FUDEU!
Fudeu, mesmo com Capitu tendo como testemunhas de acusação os escritores (o recém saudoso) Carlos Heitor Cony e Marcelo Rubens Paiva.
Pela defesa da “perva”, funcionaram o historiador Boris Fausto e a escritora Rosiska Darcy de Oliveira.
Cony e Paiva acusavam o adultério, mas ao mesmo tempo, clamavam a inocência de Capitu. No entender de Cony, Bentinho era um “chato” e, no de Paiva, um cara “com pendores homossexuais”. KKKKKKKKKKKKKK
E Escobar fudendo!
Sepúlveda completou: “As testemunhas chegaram perto da elegia do adultério, ao menos quando o marido é chato (disse-o sem conter o riso).
Além de antiisonômico, é cruel. Quase teríamos, então, que trocar o título do romance imortal de Machado para tomar de empréstimo de Nelson Rodrigues o ‘Perdoa-me por me Traíres'”…
E mais: “É célebre o dito de Aristóteles a que Rui Barbosa deu expressão extremamente elegante, de que a igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente os desiguais na medida em que se desigualam”.
Fudeu ou não fudeu?
Lula traiu, mas não tragou?
Lula é viúvo, porém honesto?
Lula chupou, mas não cuspiu, nem engoliu?
PS: No meu reles entender, fudeu tem que casar!

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