2 de julho de 2022
Vera Vaia

Rio, Quarenta Tiros!

Quarta-feira, 14 de março de 2018:
Assassinato de Marielle Franco, vereadora pelo PSOL;
Assassinato de Anderson Pedro Gomes, motorista de Marielle;
Assassinato de Marcelo Diotti morto no estacionamento do Outback na Barra da Tijuca;
Assassinato do empresário Claudio Henrique Costa Pinto, em assalto no Cachambi.
O que esses crimes têm em comum? Nada! A não ser pelo fato de todos terem sido mortos por tiros, não há nenhuma ligação entre eles (a do motorista foi por tabela).
Foram só mais quatro assassinatos de que tivemos conhecimento, que aconteceram no mesmo dia.
Mera rotina no Rio de Janeiro, exceto pelo fato de uma das mortes ter sido a de uma pessoa pública.
Marielle, a quinta vereadora mais votada do Rio, teria sido perseguida depois de participar de um encontro com mulheres negras na Casa das Pretas. Em dado momento, os assassinos abriram fogo e acabaram matando a parlamentar e seu motorista.
“É inaceitável, inadmissível”, disse o presidente Temer sobre o caso. E é mesmo! Assim como são inaceitáveis e inadmissíveis a morte do Marcelo Diotti, marido da funkeira MC Samantha, a do empresário Claudio, que levou quatro tiros na frente de seu filho de cinco anos, a do Anderson em pleno exercício do trabalho, assim como são inaceitáveis e inadmissíveis as tantas outras mortes causadas por tiroteios, balas perdidas, assaltos e o escambau a quatro.
O crime contra a vereadora, teve enorme repercussão, aqui e fora do país. Nas redes sociais e na mídia, enfatizaram o fato de Marielle Franco, ser uma negra nascida e criada no Complexo da Maré (atualmente morava na Tijuca), “uma guerreira que falava o que pensava”, “uma ferrenha defensora dos direitos humanos, especialmente o das mulheres”.
Segundo alguns, essas atribuições poderiam ter motivado o crime. E para aumentar o leque de suspeitos, destacaram o tuíte que Marielle, publicou um dia antes de sua morte: “mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando na conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe”?
E no dia do enterro, gente famosa se manifestou, levantando mais suspeitas, embora a polícia ainda não tenha confirmado que o atentado tenha sido de cunho político. A jornalista Flávia Oliveira, amiga pessoal de Marielle e comentarista econômica do Studio I da Globo News, entre lágrimas, disse na TV que não foi coincidência ela ter sido assassinada justamente depois de ter participado do evento Roda de Mulheres Negras Movendo Estruturas.
Enquanto isso, do lado de fora da Câmara Municipal, onde o corpo estava sendo velado, manifestantes gritavam palavras de ordem e pediam, o fim da intervenção militar, já que ela mesma, Marielle, era contra, assim como são os outros partidos de oposição. Em alguns lugares, aproveitaram o momento para entoar o já manjado Fora Temer!
E falando nele, em pronunciamento, mostrou sua indignação e, disse que isso não pode continuar, que “eles não vão assassinar o nosso futuro”.
Do jeito que a coisa anda, Senhor Presidente, não precisa se preocupar com o futuro! Eles (sejam quem forem) já estão assassinando o nosso presente!

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Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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