20 de abril de 2024
Colunistas Vera Vaia

Pode ou não pode?

O assunto mais comentado da semana foi a situação de penúria em que se encontram os índios da tribo ianomâmi, mas não fiquei com vontade de escrever sobre isso. Já choro quando vejo anúncio da Unicef que mostra aquelas crianças ao redor do mundo em situação de miséria extrema. Essas imagens dos indiozinhos sendo dizimados pela fome e pelas doenças, por pura maldade de um crápula, então, é muito pro meu estômago.

Já tenho nojo de lembrar dos tantos atos ilícitos que Bolsonaro cometeu ao longo da vida, mas falar sobre esse crime dá mais do que nojo. Dá raiva, dá tristeza, dá revolta, dá um monte de sentimento ruim que não gostaria de estar sentindo.

Ele é o responsável direto sobre o que está acontecendo com a tribo. Há provas contundentes de que o ex-presidente não gosta, nem nunca gostou de índios. Basta lembrar essa frase de sua autoria: “Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema no país”.

Em 1993 o então deputado Jair Messias Bolsonaro, que já à época, se declarava a favor de uma ditadura como a do Peru implantada por Alberto Fujimori, apresentou na Câmara Federal um projeto que visava a tornar sem efeito o decreto do presidente Fernando Collor de Mello que homologava a demarcação administrativa da Terra Ianomâmi.

E, quando virou presidente, para conseguir seu intento se virou como pôde: Na falta de uma cavalaria como a norte-americana, usou os garimpeiros que trataram de acabar com índios à maneira deles, estuprando, levando doenças e os impedindo de plantar, caçar ou pescar seus próprios alimentos. O resultado, até agora, são centenas de crianças e adultos mortos por desnutrição e por doenças como pneumonia e malária.

Então, para não me aborrecer, vou escrever sobre a polêmica em torno do nome que Seu Jorge escolheu para dar ao filho: Samba.

Chegou no cartório e o escrivão não deixou porque era nome de ritmo musical.

Seu Jorge não gostou e pediu para seu advogado dar um jeito.

Tudo bem que o filho é dele e ele coloca o nome que quiser, mas convenhamos, quem garante que essa criança não iria preferir se chamar Funk, Rock ou Pagode?

A escolha de nome pros filhos é coisa complicada.

Alguns pais mais entusiasmados vão procurar nos artistas famosos inspirações para os nomes.

Um dia eu estava esperando pelo resultado de um exame numa clínica quando ouço um funcionário chamando por Michael Douglas. Pensei que talvez o ator tivesse vindo visitar um parente por aqui e precisou fazer um exame de urgência. Percorri com os olhos a sala de espera procurando por ele ou pela acompanhante Catherine Zeta-Jones. mas em lugar dela se levanta uma senhora meio agitada e fala pro garoto: “Num me saia dessa cadeira, Maico Dougras, que eu já vorto”.

Outra preocupação dos pais deveria ser a combinação do nome com o sobrenome. Como que alguém que tem Rêgo como último nome pode se chamar Vital?

O senador, hoje ministro Vital do Rego, deve ter passado por maus bocados ao longo da vida.

Dizem os fofoqueiros de plantão que a atriz Suzy Rêgo desistiu de se casar com Paulo César Grande para evitar os comentários maldosos que certamente surgiriam.

A família latina de sobrenome Tejano (que quer dizer texano em castelhano), se conhecesse o português e suas gírias, jamais chamaria de Paula a filha nascida no Brasil. A turminha da escola certamente iria cair de boca (ops) na tal Paula Tejano.

Se a gente for procurar encontra nomes registrados muito mais estranhos que Samba. Então, por que não pode? O garoto só vai ter de ficar esperto quando for convidado para uma roda de samba. Nunca se sabe, né?

Vera Vaia

Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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