18 de agosto de 2022
Editorial

Uma força estranha

carmenxrenanFoto: Arquivo Google

Ao contestar a legítima atuação da PF na polícia do Senado, Renan Calheiros declarou que nem na ditadura haveria uma ação como esta. Devo lembrar ao senador que na ditadura, o Congresso era fechado pelo militar de plantão sempre que era contestado em seus interesses. Mandatos eram cassados e pessoas eram mortas, como o deputado Rubens Paiva, cujo corpo até hoje não foi encontrado. Lembro, ainda, senador, que se ainda estivéssemos na ditadura este Congresso cheio de corruptos já estaria fechado há muito tempo, e muitos já estariam nas masmorras do DOI-Codi.
Renan diz que tem “nojo de métodos fascistas”. Nós, brasileiros, temos nojo de sermos obrigados a ter um chefe de Congresso com a ficha corrida como a dele. Em que país decente, com tantos crimes, ele ficaria no cargo que ocupa por tanto tempo e tão intocável? Se Cunha foi afastado pelo STF por conta das barbaridades cometidas, por que esta vergonhosa proteção a um homem tão detestado e desmoralizado pela sociedade? Enfim, por que este “chefete do Legislativo” ainda não está preso?
O presidente do Senado mostrou seu total descaso com o Judiciário (e com o Legislativo), ao chamar um juiz de primeira instância de “juizeco” e o Ministro da Justiça de “chefete de polícia”. O Juizado de Primeira Instância é de vital importância para a Justiça, e não pode ser tratado de forma pejorativa. É muito fácil para o presidente do Senado cantar de galo, escorado no abominável foro privilegiado, sem o qual já estaria prestando contas de seus atos a esses denominados “juizecos” e preso pela equipe eficiente do “chefete de polícia”.
Lamentável que o ocupante de um cargo que é o terceiro na atual linha de sucessão presidencial do Brasil, de quem se espera compostura e respeito às instituições, se refira a membros do Judiciário e do Executivo de forma chula. O fato de se sentir injustiçado por uma decisão judicial que lhe desagrada em hipótese alguma lhe dá o direito de falar o que bem entender, muitas vezes em defesa dos seus interesses.
Tenho nojo dos métodos dos políticos que furtam o dinheiro público. José Sarney não tem mais ligação com o Congresso, logo não tinha porque Renan Calheiros autorizar varredura na casa do ex-presidente. O objetivo de tal varredura foi somente obstruir as investigações da Lava-Jato. Tal como Eduardo Cunha, Renan está cheio de processos no STF. Cunha foi afastado da presidência da Câmara e do exercício parlamentar, pelo STF. Como eu disse antes, o que nossa Corte está esperando para afastar Renan do Senado?
Que força estranha terá este parlamentar que, apesar de possuir uma verdadeira folha corrida de malfeitos e já tenha renunciado ao mesmo cargo que ocupa para escapar de uma cassação, para peitar a Justiça, acintosamente, como um todo, como bem caracterizou a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF?

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Advogado, analista de sistemas e editor do site.

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