O país de cabo a rabo

Foto: Arquivo Google

O ministro Gilmar Mendes está exercendo o cargo de “Advogado Geral da Corrupção”. Os advogados de porta do STF têm um aliado estratégico no Supremo Tribunal Federal. Por isso conseguem tirar do xilindró a sua especial clientela. Ainda bem que há no Brasil o Procurador Geral da República, que é contrário à corrupção. E há policiais federais e juízes federais também contrários à corrupção. A depender de Gilmar Mendes, a corrupção sairá vitoriosa. Mas policiais, procuradores, promotores de Justiça e juízes estarão juntos e unidos para derrotar a corrupção.
Ele segue concedendo liminares e habeas corpus no mínimo estranhos, contraditórios com decisões de Juízes, além de criticar magistrados e o Ministério Público. Vivemos em um mar de corrupção e corruptos; assim, atuar, com o rigor da lei, para combater tais desvios de conduta, sem dúvida é a melhor maneira de fazer frente ao problema. Mas Gilmar parece não pensar assim. Juízes, MP e cidadãos estaríamos sempre todos errados e ele, o único certo?
A despeito dos conflitos morais, políticos e econômicos que afligem nosso país, avanços inegáveis na luta contra o crime do “colarinho branco” foram alcançados pelo MP. Na contramão desses avanços, Gilmar Mendes julga com parcialidade indiciados poderosos como José Dirceu, Eike Batista, Daniel Dantas e Jacob Barata Filho — no TSE, validou a chapa Dilma–Temer —, proferindo decisões autocráticas que envergonham o país. Alguém precisa avisar que ele não está na Venezuela.
Na aparente queda de braço entre o Ministro Gilmar Mendes e o Juiz Marcelo Bretas, o ministro usou o antigo provérbio : “o rabo abanar o cachorro em vez de o cachorro abanar o rabo”. Até agora não entendi, talvez pela minha pouca inteligência, como o mesmo possa ser aplicado na relação entre a decisão dos magistrados. Muitas outras pessoas, ligadas ou não ao meio jurídico, devem estar com a mesma dúvida.
É como se perguntasse: quem é esse juiz para ir contra a decisão de um ministro do STF? E quem nos garante que a escolha não foi proposital, para que o recurso fosse direcionado a ele? Em virtude de outras atitudes, Gilmar já não nos surpreende, mas é revoltante. Nosso país é uma vergonha, de cabo a rabo.
Que país é esse que pode tirar uma presidente por desmandos e não pode fazer o mesmo com um ministro do STF?

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