A noite é a capa dos pecadores

Fotomontagem: Jornal da Chapada (Arquivo Google)

A defesa de Temer pediu ao STF a suspeição do procurador Rodrigo Janot, por agir com “obsessiva conduta persecutória” contra o presidente. Horas depois, Raquel Dodge, que vai para o lugar de Janot, compareceu, fora da agenda, no Palácio Jaburu. O Planalto explicou que os dois discutiram a posse dela no cargo, Raquel enviou ofício a Janot com a mesma explicação e, também, ao Presidente da Associação Nacional de Procuradores da República. Não é muita explicação? Quem muito se explica muito se complica!
Temer disse que o procurador Janot tem ideia fixa de afastá-lo do governo. Ledo engano. São milhões de brasileiros que querem vê-lo fora do Planalto e confortavelmente instalado no “resort” da Papuda. Não só ele, mas dezenas – talvez centenas – de congressistas, fora a turma do Judiciário e outras entidades. Enquanto esta faxina não for feita, “bye, bye, Brasil”.
A gente já sabia que político prefere trabalhar na surdina, na calada da noite, mas agora literalmente estamos vendo. Parece que dá mais adrenalina fingir que não sabe que está sendo monitorado. Temer, que já conseguiu escapar – a gente sabe como – da primeira acusação, mesmo tendo sido visto recebendo no Jaburu, após as 22h, o empresário Joesley Batista, repetiu o flagrante, em horário próximo, a nova procuradora-geral da República. O assunto? Realizado fora da agenda, assim como o encontro com Joesley, boa coisa não foi.
Por que a nova PGR, escolhida pelo presidente sem ter sido a mais votada na lista tríplice, tinha que discutir “detalhes da posse” com o Presidente da República. Não existe cerimonial pra isso? Além disso, o encontro se deu no mesmo dia em que Temer pediu o afastamento de Janot da PGR. Pode até não ter fogo, mas que tem fumaça, tem. Como diz o provérbio espanhol: “A noite é a capa dos pecadores”. Raquel tinha um encontro com o ministro Gilmar Mendes, que foi cancelado.
Resumindo… é inacreditável que Temer continue a realizar encontros furtivos na calada da noite, fora da agenda oficial, daí o adjetivo “furtivo”. Depois de ser gravado por Joesley Batista, reuniu-se clandestinamente com um ministro do STF e com a nova procuradora-geral da República, ao mesmo tempo que ataca o atual procurador-geral, que ousou denunciá-lo por corrupção no crime da mala de dinheiro de propina. Parece que ao presidente não basta escapar da punição. Ele precisa mostrar para todos que é, sim, culpado de crime de obstrução à Justiça, corrupção e formação de quadrilha, mas que não será punido nunca, nem no dia do Juízo Final.

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