29 de fevereiro de 2024
Editorial

E o Leão, finalmente, atacou os líderes religiosos

Imagem: Dinafisco

Vai acabar a mamata! Não vai aqui qualquer discriminação religiosa. Trata-se de líderes religiosos, portanto, de toda e qualquer religião.

Os líderes religiosos são trabalhadores como quaisquer outros, logo têm sim, que arcar e recolher as devidas contribuições fiscais e previdenciárias como qualquer cidadão. Obviamente, não faltarão dízimos e/ou doações para que eles continuem a manter seus aviões, carros e casas luxuosas e, tampouco alguns continuarem a “malafaiar” por aí, iludindo grande parte da sociedade.

Não faz o menor sentido os líderes religiosos não pagarem Imposto de Renda sobre seus salários e participação nas doações e dízimos, por exemplo.

A mordida do Leão segue uma tabela progressiva que deve ser respeitada. Quanto maior o salário, maior é a contribuição para a Receita. Isso serve para todos os brasileiros, afinal “todos são iguais perante a Lei”. Que bom se isso fosse verdade!

Assistir à bancada evangélica no Congresso tentando defender a não contribuição de Imposto de Renda de uma turma que ganha rios de dinheiro, muitas vezes de forma questionável, é um absurdo.

É impressionante o tamanho da goela da chamada bancada evangélica. Não só do dinheiro que recebe dos fiéis por espontânea vontade, um direito de cada um em troca do “perdão celeste”, mas também das benesses fiscais da atual legislação. Nosso Congresso precisa agir para fazer valer o artigo constitucional da igualdade entre todos os brasileiros.

Os pastores e bispos, travestidos de deputados e senadores, além de querer impor suas crenças e regras de conduta a uma sociedade laica, não desistem de exigir mais e mais vantagens dos governos. É o preço do “apoio”.

Muitos deles são milionários, donos de concessões públicas de TV e Rádio. Não pagam qualquer imposto! E querem mais! Tudo em nome da “evangelização”. Adoraria ver o encontro de cada um deles com o Senhor quando chegar a hora.

Não há explicação plausível, para isentar estas elites do pagamento de impostos.

Eu pago o IPVA do meu carro, mas eles são isentos desta cobrança; eu pago Imposto de Renda sobre meu salário, mas eles são isentos; eu pago o IPTU sobre meu imóvel e eles são isentos… por quê? Só por serem líderes religiosos? Eles são trabalhadores e recebem salários como todo mundo. Não é justo!

A possível revogação desta isenção gerou, nos últimos dias, uma série de reações, inclusive, e principalmente, da Bancada Evangélica no Congresso. Nada contra os evangélicos, queremos apenas tratá-los como cidadãos comuns, como nós, logo, nada mais justo de que eles paguem os devidos impostos, como nós o fazemos.

Veja a gritante diferença: os fiéis pagam sua parcela no sistema tributário, logo não é razoável, e muito menos isonômico, que o fiel pague todos os seus impostos e os líderes estejam imunes à tributação.

Precisamos deixar os dogmas de lado e discutir, com seriedade e sem paixões, essas incoerências. O Estado é laico e deve sê-lo, inclusive na hora de cobrar impostos. Todos são iguais perante à lei, diz a Constituição, tão afrontada nestes últimos tempos.

O imposto que deveria ter sido recolhido e não o foi, é dinheiro público e assim deve ser protegido. Estou estupefato diante da indecência da indignação dos “empresários da fé” aboletados no Congresso.

Enfim, na Bíblia, Jesus nunca se revoltou contra pobres, desvalidos ou ladrões, mas apenas contra os vendilhões do templo.

Valter Bernat

Advogado, analista de TI e editor do site.

Advogado, analista de TI e editor do site.

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