Delação premiadíssima

Foto: Arquivo Google (Arquivo Blog do Diário)

Muito mal explicada, a delação da JBS já vinha levantando suspeitas. A atuação do “braço direito” do PGR, Marcelo Miller, que abandonou um desejado emprego na Procuradoria Geral para atuar pelos criminosos Batistas, não convencia. Agora, Janot dizer que há “referências indevidas à PGR e ao STF” na gravação, e que “há indícios de crime”, é muito pouco. Há que se divulgar tudo.
A certeza da impunidade, a forma irreverente, arrogante e cínica que consta dos áudios das conversas entre Joesley e Ricardo Saud, em que relatam suas “traquinagens”, devem estar mexendo com o sono dos implicados. O ex-procurador Marcelo Miller também terá muito o que explicar em seu depoimento. Quanto a Rodrigo Janot, terá a oportunidade de desfazer o acordo rechaçado por tantos. Que os denunciados não se animem com a possível anulação da delação, pois reza a lei que caem os benefícios, mas não as provas.
Que Rodrigo Janot, tenha se precipitado, e errado, com a delação proposta pelo professor de bandidagem Joesley Batista, como ele próprio se gaba de ser, é possível. Mas, aqui para nós, o ministro Gilmar Mendes, após ter mandado soltar vários bandidos, não é a pessoa mais indicada para repreendê-lo. Se houve erro, é melhor apoiarmos o Procurador.
É justo considerar que, para a sociedade, a gestão de Janot foi profícua, especialmente no combate à corrupção. Mas, nem tanto. No ocaso de seu mandato, quando gavetas já deveriam estar sendo esvaziadas, não fosse uma descuidada auto-delação de Joesley, não teria como reformar o bondoso acordo que fez com o empresário. Tomara que ainda consiga.
Rodrigo Janot sonhava em deixar o cargo nos braços do povo. Com o peito estufado de deslumbramento e vaidade. Com o escândalo revelado pelo próprio Janot, que desmoraliza a delação premiadíssima dos Batistas, o procurador-geral da República sai moribundo, com flechadas no coração.

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