Da casa da Dinda à casa da Dilma

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Charge do Sponholz

Uma grande organização infiltrada em todos os poros do governo, e que já havia mostrado seus tentáculos no Mensalão, continua mais viva do que nunca. O modus operandi continua o mesmo. A cada dia, a Lava-Jato nos surpreende com revelações escabrosas. Insuportável ter que ouvir o governo falar sobre esta desastrosa situação: “nunca se prendeu tanto neste país como agora”.

Vangloriando-se das consequências, maliciosamente escamoteiam a causa: a verdade é que nunca se roubou tanto neste país. É incrível a desfaçatez dessa gente! Pensam que falam para um bando de idiotas? Alguns, certamente o são, todos nunca!

Apesar de nebulosos episódios, como autorização para a compra da Refinaria de Pasadena, a presidente Dilma costuma declarar que nada de desabonador pesa sobre sua pessoa. Um legítimo direito de qualquer cidadão. Mas a delação de Nestor Cerveró a coloca no olho do furacão da Lava-Jato, por supostamente ter posto “à disposição” de Fernando Collor a diretoria da Petrobras, para indicações. Se confirmada a acusação, é certo que ganhou um aliado de peso, mas pode ter perdido ainda mais o respeito da sociedade.

Cerveró está abrindo a boca e contando os podres da casa da Dinda à casa da Dilma. A presidente disse que poderiam virá-la do avesso que nada seria encontrado. Mas a mentira tem pernas curtas. Em setembro de 2013, Cerveró estava empenhado em se manter no cargo de diretor Financeiro e Serviços da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, que assumiu após deixar a área Internacional da estatal. Dilma garantiu a Collor diretorias da BR e, segundo Cerveró, Collor tinha o controle de toda a BR Distribuidora. Apesar de a presidente dizer que não conhecia Cerveró, sua delação a está desmascarando. O Planalto disse que não vai comentar o caso. Melhor mesmo. Vai comentar o quê?

O ex-diretor da área internacional da Petrobras também disse que o governo FHC recebeu propina por compra feita pela Petrobras. O ex-presidente FHC disse que as acusações servem apenas para confundir. A mim, não. Não há partido probo. No governo Fernando Henrique houve escândalos, não apurados. Foram varridos para baixo do tapete. Então, o ex-presidente declarar que a acusação de Cerveró serve para confundir, a mim não convence. Pelo contrário, mostra que ninguém é bobo nesta política. Os bobos somos nós, eleitores.

Evidente que Nestor Cerveró, ao atirar contra todos e mudar seus depoimentos de delação, segue a máxima do Velho Guerreiro: “Eu não vim aqui para explicar, eu vim aqui para confundir.”

Claro que a “confusão” é proposital, e tem peixe grande por trás. Espero que o bônus da delação premiada seja cancelado, caso ele continue a agir dessa forma, aliás ele precisa ficar esperto porque se suas delações não forem confirmadas, ele perde todas as regalias a que teve direito por ser delator. Isso, em minha opinião, faz com que possamos confiar ainda mais nas ditas delações. Cuidado Lula!

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