Acho melhor culpar o mosquito

Jaques-WagnerJaques Wagner – Google Imagens

Finalmente, alguém do governo, no caso o ministro Jaques Wagner, veio a público para reconhecer, entre outras coisas, algo que qualquer pessoa medianamente preparada, já havia detectado há muito tempo: o governo, no afã de se reeleger, patrocinou, como bem o diz o referido ministro, um “programa de financiamentos feitos num volume maior do que a gente aguentava”. Ora, gastos de qualquer tipo, superiores à receita, quebra a fonte, e foi o que ocorreu com o Brasil: gastou-se, em nome de um populismo barato, mais do que se devia e podia, e deu no que deu.

É sempre assim, desde os filmes de Hollywood. Os bandidos sempre acabam, mais cedo ou mais tarde, confessando seus crimes. Em menos de 24 horas, duas entrevistas confirmaram duas situações: Jaques Wagner afirmou que vários erros no primeiro governo Dilma levaram o país à difícil situação econômica e social. Ele doura a pílula, chama os previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal de “equívocos administrativos”, com o que o TCU acertadamente não concordou. Depois, um deputado da base se regozijou com a delação de um envolvido na Lava-Jato que citou o nome de um tucano de alta plumagem. Esta satisfação foi justamente porque “nós só fizemos o que todos os demais partidos e políticos fazem”, tese, aliás, também usada no mensalão e que não surtiu efeito no STF.

Como porta-voz da presidente Dilma, Jaques Wagner declarou que o ex-ministro Levy “é uma pessoa que conhece o riscado, mas tinha uma visão muito específica do livro-caixa, do cofre, então estava obcecado por aquilo ali” e agora, com Nelson Barbosa, “tem muita gente refletindo, sem porra louquice de quanto vou gastar”.

Resumindo 2015: A inflação ficou bem acima da meta; o PIB teve queda; em um ano, a recessão eliminou mais de 1,5 milhões de empregos com carteira assinada; as contas do governo central tiveram, no ano, um enorme déficit acumulado.

O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, admitiu que parte dos problemas foi causado por erros do primeiro governo Dilma, no entanto, não apontou quais os responsáveis pelas outras partes dos problemas.

Culpar os Estados Unidos não cola mais. Que tal culpar o mosquito Aedes aegypti? Não ficaria tudo resolvido?

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