20 de abril de 2024
Cinema

Alguém em Algum Lugar / Somebody Somewhere

De: Hannah Bos e Paul Thureen, criadores, 2022

Nota: ★★★½

(Disponível na HBO Max em julho de 2023.)

É uma beleza a primeira temporada de Somebody Somewhere, no Brasil Alguém em Algum Lugar, produção americana de 2022. Esbanja talento, inteligência, bom humor, seriedade, franqueza, honestidade, sensibilidade.

Para boa parte do público brasileiro, serve de apresentação de uma artista maravilhosa, um portento, uma força da natureza, essa Bridget Everett, comediante, atriz, cantora, escritora, produtora e cabaret perfomer, como a define a Wikipedia. Posso estar enganado, mas imagino que muita gente não a conheça, ou não a conhecesse até agora: a carreira de Bridget Everett tem sido, parece, mais na televisão americana que no cinema, embora ela tenha trabalhado em várias séries.

Bridget Everett é a base, a espinha dorsal da série Somebody Somewhere. A trama – uma criação de Hannah Bos e Paul Thureen, aparentemente usando alguns elementos da vida da própria protagonista – gira toda em torno da personagem interpretada por ela, Sam, uma mulher que está chegando aos 50 anos e, depois de décadas vivendo longe, voltou para sua cidade no interiorzão mais profundo dos Estados Unidos, no Kansas.

Não se fala explicitamente onde Sam passou aqueles 20 e tantos fora de sua cidade, mas dá para o espectador imaginar que foi em uma grande metrópole, Nova York, Chicago, Los Angeles. Voltou, foi obrigada a voltar para a cidade pequena do interior, da roça, para cuidar da irmã doente. A irmã, Holly, é bastante citada ao longo dos sete episódios curtos, de cerca de meia hora cada, desta primeira temporada, mas ela não aparece na tela – já está morta quando a ação começa.

Se não se fala claramente onde Sam viveu enquanto esteve fora, fala-se muito, bastante, da sua cidade natal, para onde ela volta depois de andar por este mundo, mundo, vasto mundo: é Manhattan, “a oitava maior cidade do Kansas”, como é dito em algum momento.

Não poderia haver ironia maior do que a cidade pequena, acanhada – para quem já viveu numa metrópole – ter exatamente o nome da pequena ilha comprada dos índios pelos holandeses da Dutch West India Company por bens equivalentes a 60 guilders, em 1626, e que há algumas décadas é o umbigo do capitalismo mundial, a capital do planeta.

Ao longo de todos os sete episódios, há belas tomadas de Manhattan, Kansas – prédios, lojas, restaurantes, lanchonetes, e também das fazendas em seu entorno.

A coincidência fantástica – ou não, é claro! – é que, exatamente como a personagerm Sam, a atriz Bridget Everett nasceu ali mesmo, em Manhattan, “the Little Apple”. Ela é de 1972, a caçula de uma família de seis irmãos. Born and raised in Manhattan, Kansas.

Há muita gente nada conservadora no interiorzão bravo

Talvez fosse possível resumir a trama desta primeira temporada de Somebody Somewhere assim:

Como se dá a readaptação de uma mulher forte, poderosa, independente, solteira, sem filhos, moderna, com vivência cosmopolita, à vida em uma pequena cidade do interiorzão profundo.

Sim, acho que esse seria um bom ponto de partida para uma sinopse da série.

Como Sam faz novas amizades na volta à sua cidade natal. Como ela interage com a família – pai, mãe, a segunda das três irmãs, o cunhado, a sobrinha adolescente.

Ao contar a história dessas pessoas simples, comuns, gente como a gente, a série criada por Hannah Bos e Paul Thureen faz um belíssimo retrato da vida em uma pequena cidade no interiorzão da América profunda.

É um retrato maravilhosamente criado, traçado, trabalhado. É tudo contado com doses imensas – perdão por repetir, mas é fundamental realçar isso – de honestidade, clareza, franqueza e, at last but not at least, sensibilidade.

Não há aqui – diferentemente de tantas e tantas séries – mistérios, segredos ocultos, revelações bombásticas, reviravoltas. Os personagens, repito, insisto, são pessoas simples, comuns, gente como a gente.

E são personagens interessantes, ricos, multifacetados – muito bem criados pelos autores e roteiristas, e muito bem interpretados por atores excelentes, todos, embora não haja grandes astros ou estrelas no elenco.

Mas há, além disso aí, por trás disso aí, creio, uma outra forma de ver esta série. Os críticos de cinema diriam que é uma obra que permite mais de uma leitura.

Somebody Somewhere mostra uma realidade bem diferente daquela imagem que em geral se tem das comunidades do interiorzão dos Estados Unidos – a de aqueles são locais de gente extremamente conservadora, careta, convencional, tradicionalista, religiosa. Eleitores de Donald Trump, para simplificar.

Se o espectador prestar atenção ao pano de fundo daquele mundo que Sam fica conhecendo na cidade que ela já não conhecia mais, se ele vir a coisa assim de um jeito mais social, mais político, perceberá que Somebody Somewhere quer dizer que, ao contrário da imagem que em geral se tem, há muita, mas muita, mas muita gente no interiorzão bravo, na América profunda, que não é nada, mas nada, mas nada conservadora, convencional, tradicionalista, religiosa.

De todos os diversos personagens que ficamos conhecendo, nesta primeira temporada, creio que dá para dizer que no máximo uns dois teriam votado no magnata populista de extrema direita.

Não poderia cravar com toda certeza que os realizadores da série quiseram dizer isso – mas foi o que me pareceu. Ah, sem dúvida alguma foi o que me pareceu!

A série quis – além de nos apresentar uma boa história – dizer algo assim:

Alô, alô, pessoal das grandes metrópoles, temos uma novidade para contar para vocês. No meio do que vocês acham que é só uma grande caipirada conservadora pra cacete, tem muita gente muito mais liberal e pra frente e que quer ter uma vida livre leve e solta do que vocês jamais poderiam imaginar.

O site Rotten Tomatoes traz uma sinopse da série extremamente bem feita:

“Sam, na aparência uma perfeita mulher do Kansas, luta para se encaixar no molde de sua cidade natal; batalhando com a perda e a aceitação, cantar é sua graça salvadora e a leva a uma jornada para descobrir a si mesma e a uma comunidade de gente não convencional que não se encaixa mas não desiste.”

“A community of outsiders who don’t fit in and don’t give up.” Beleza de síntese daquele bando de gente que Sam fica conhecendo – gente que parece saída das comunidades mais descoladas de Nova York ou San Francisco, e no entanto está ali mesmo, na oitava maior cidade daquele cu do mundo, pardon my French. Mas é que, caralho, aquele povo fala tanto palavrão…

Sam vivia como se fosse sair de novo da cidade

Não se especifica há quanto tempo Sam havia voltado para Manhattan para cuidar de Holly, a irmã doente. Quando a ação começa, já fazia seis meses que a doença tinha levado a irmã embora – e Sam continuava dormindo no sofá da sala da casa de Holly. Não tinha ainda feito o que seria o mais normal, ido dormir na cama de casal espaçosa da irmã.

Mostra-se esse pequeno detalhe algumas vezes, ao longo dos sete episódios da primeira temporada, e isso me encantou. Cada vez mais tenho a certeza de que são os pequenos detalhes que fazem os grandes filmes.

Não é – isso fica bem claro – que Sam quisesse preservar intacta a memória da irmã morta. É um indício claro de que ela queria continuar considerando que estava em Manhattan apenas de passagem. Que em breve sairia novamente dali, como já havia saído quando era muito, muito mais jovem. Que aquele não era o lugar em que ela gostaria de viver o resto da vida – apesar de ser sua cidade natal, e de sua família continuar ali.

O pai, Ed (Mike Hagerty, na foto acima), é fazendeiro; tem um pedaço de terra até bem razoável, em que planta basicamente o que se planta em boa parte do Kansas e de toda aquela região central do país – milho. A primeira tomada da série é um amplo, belo campo de milho. Mas não é uma grande fazenda, e Ed não é rico, de forma alguma – trabalha feito um mouro, praticamente sozinho, para manter a fazenda funcionando.

A mãe, Mary Jo (Jane Brody), bebe, e bebe muito. O espectador verá que ela nunca conseguiu se recuperar da perda da filha.

A outra irmã, Tricia (Mary Catherine Garrison, na foto abaixo), tem uma loja de decoração e presentes no centro da cidade, junto com a maior amiga, Charity (Heidi Johanningmeier).

Sam se dá muito bem com o pai – são parecidos até na obesidade – e com Shannon (Kailey Albus), a filha adolescente de Tricia. Mas não gosta nada do cunhado, Rick (Danny McCarthy), e a relação com a irmã é tensa. Tricia parece considerar que a irmã é uma pessoa que não deu certo na vida – e demonstra irritação com o fato de a filha gostar muito da tia, e em algumas coisas querer imitá-la. Lá pelas tantas haverá uma sequência que mostra, bem en passant, que Sam, sensível, inteligente, dá uma puxada no freio de mão na relação com a sobrinha, um pequeno recuo na intimidade, para não aborrecer a irmã.

Outro belo detalhe do roteiro desta série, que demonstra imensa sensibilidade. E é um detalhe – muitos espectadores podem nem sequer notar.

O espaço da igreja é usada para fins bem pagãos

A primeira sequência da série – depois de diversas tomadas de locais de Manhattan, Kansas – acontece no local de trabalho de Sam, uma edificação grande, moderna, boa, que tem na fachada o nome da empresa ou instituição, Centro de Avaliação de Teste Padronizado de Excelência. Confesso que não entendi o que é aquilo, para que serve, a quem atende, de que maneira ganha dinheiro – mas o que vemos é que o trabalho de Sam e um grande grupo de colegas consiste em avaliar textos. Na primeira sequência, Sam está lendo uma redação de uma pessoa bem jovem – e, como a autora fala de sua relação com o irmão, Sam, com Holly sempre na mente, se emociona, começa a chorar e sai da sala e do prédio, para espanto dos colegas.

Um rapaz a segue, aproxima-se dela lá fora, oferece um lenço e evidente apoio, suporte, conforto. Sam se desculpa, diz que perdeu a irmã seus meses atrás, e o colega logo diz “Sim, meus sentimentos pela Holly”. Fica evidente que ele sabe muito bem quem ela é, e que ela não se lembra dele. Chama-se Joel (Jeff Hiller, nas fotos abaixo, numa interpretação não menos que extraordinária), diz que os dois foram colegas no coral da escola.

Nesse primeiro diálogo, Joel logo diz que muita gente não se lembra dele, isso é normal. Tipo assim: eu não sou mesmo uma pessoa marcante. Detalhe de cinema feito com imensa sensibilidade.

Bem ao contrário, fica claro que Sam, ela, sim, era uma pessoa marcante lá atrás, na adolescência, na escola, antes de cascar fora da cidadezinha para ir para o mundão vasto lá fora. Joel dirá que se lembra muito bem da voz dela, que adorava a voz dela.

Logo a convida para ir à noite no ensaio do coral da igreja – e Sam diz que não é uma pessoa muito religiosa.

Joel também não é uma pessoa muito religiosa. Na verdade, nada religiosa – nem seus amigos que se reúnem algumas vezes por semana no espaço de uma das várias igrejas das diversas denominações protestantes de Manhattan, Kansas, sob o pretexto de ensaiar um coral. Na verdade, o que aquela turma faz – sem, evidentemente, que a bondosa pastora Deb saiba – é usar o sacro local para uma boa de uma esbórnia, com música pop, rock & o escambau, bebida, dança, alguma droga e namoro. (A pastora Deb é interpretada por Ora Jones.)

Hedonismo puro. Os religiosos tradicionalistas, radicais, xiitas, de qualquer denominação, cristã ou não, diriam que aquilo ali é coisa do diabo.

Na primeira vez em que Sam visita o local da “perversão”, Joel, a cargo dos teclados, a convida para o palco. E a convida para o palco já tocando os acordes iniciais de uma canção que ele se lembrava muito bem de como Sam cantava.

A sequência em que Sam-Bridget Everett canta em sua cidade natal pela primeira vez desde que tinha uns 20 de idade – e canta uma das mais belas canções das últimas muitas décadas, “Don’t give up”, que o grande Peter Gabriel lançou em 1986 – é daquelas de arrepiar os cabelinhos dos braços de um frade de pedra. De a gente enxugar os olhos marejados, aplaudir de pé como na ópera, e voltar pra ver de novo.

“Don’t give up”. Diabo. Não que isso importe aqui, mas um dia ainda escrevo um texto sobre “Don’t give up”.

Faço uma rápida continha: Bridget Everett é de 1972, e portanto Sam também é por ali. Estava com 14 anos quando Peter Gabriel lançou o álbum So, que tem a música-hino. Tem todo sentido que, no coral da escola, em plena adolescência, Sam tenha cantado a canção – e tenha provocado uma emoção duradoura no garoto Joel.

Fala-se demais de sexo – mas não se mostra

A relação afetiva que vai se estabelecendo entre Sam e Joel é uma das bases da trama desta primeira temporada de Somebody Somewhere. Na verdade, creio é que o principal fio condutor da trama.

Lá pelas tantas, não me lembro mais se no episódio 2 ou 3 dos 7, Sam, afundada em suas angústias, num momento de – como é aquele termo? – “perda temporária de razão”, fala um monte de besteiras para Joel, uma coisa violenta, ofensiva, desencorajadora. (O exato oposto do que diz a letra de “Don’t give up”, me ocorreu aqui agora, no momento em que escrevo.)

Depois vai pedir desculpas, com sinceridade – e Joel não esconde, de forma alguma, como foi duro, como aquilo o magoou.

Não há, de forma alguma, sexo envolvido na relação da mulher gorda, imensa, e do homem magrinho, com aparência de frágil. Joel – como a imensa maior parte dos frequentadores dos “ensaios do coral” na igreja da pastora Deb – é homo assumidérrimo.

A coisa da sexualidade ali naquele imenso grupo de gente anticonvencional, hedonista, livre leve e solta da cidade do interior do Kansas é mostrada de uma forma muito interessante. Somebody Somewhere fala demais de sexo, com muita referência a pau e bunda e tudo, e muito palavrão – mas mostra pouco sexo. Assim propriamente a coisa de mostrar, exibir, explicitar – nisso aí a série, furiosamente progressista em todos os aspectos comportamentais, é bastante discreta. O que, na minha opinião, é mais um de tantos e tantos pontos positivos.

Há, entre os amigos de Joel, uma figura fascinante, que usa o pseudônimo de Fred Rococo (é muito engraçado ver a palavra rococó falada em inglês, rôucoucou). Nos “ensaios do coral”, ele funciona como mestre de cerimônias, e ali parece ser uma mulher travestida como homem. Na vida profissional, professor universitário de uma área da agronomia, parece um homem um tanto afeminado. Fred Rococo é interpretado – maravilhosamente – por Murray Hill, comediante e drag queen nova-yorkino.

Holly, a irmã mais velha de Sam que não aparece na tela, mas é sempre citada, era gay– ficamos sabendo pouco a pouco, através dos diálogos –, muito provavelmente uma gay assumida bem antes que isso começasse a ser aceito em Manhattan, Kansas. Isso havia causado um certo embaraço na família – a mãe e a irmã Tricia não se sentiam à vontade com a homossexualidade da moça.

A sexualidade da protagonista da história não é explicitada, escancarada – e isso me pareceu outro dos muitos gols dessa série admirável.

Muito provavelmente Sam é gay, sim. Mas não há referência a companheiras firmes no passado dela, nem sequer a casos eventuais, aventuras. O fato de ela estar longe do padrão da beleza, por causa do sobrepeso, pode ajudar a explicar por que não há pretendentes àquela mulher fantástica, maravilhosa, de sensibilidade imensa e uma voz fantástica.

E lá pelas tantas, quando rola uma trepada casual, é com um homem. (A sequência rápida em que, na manhã seguinte, Sam se mostra um tanto horrorizada ao ver a bunda do homem em sua casa é uma delícia.)

A série tem índices altíssimos de aprovação

Esta primeira temporada, anunciada pela HBO em julho de 2020, foi lançada em janeiro de 2022. Rapidamente, no mês seguinte, a emissora anunciou que haveria uma segunda temporada – que estreou em abril de 2023.

Quando vimos a primeira temporada – junho de 2023 –, acabava de ser anunciado que haverá uma terceira.

Não é para menos. Felizmente para todos nós que gostamos de bons filmes e/ou séries sobre pessoas simples, comuns, gente como a gente, sobre relações afetivas e familiares, Somebody Somewhere tem sido um grande sucesso. No IMDb, a nota média da série é altíssima – 8,0, média dos votos de 9,7 mil pessoas!

No site agregador de opiniões Rotten Tomatoes, a média de aprovação dos leitores era de impressionantes 92%, no início de julho de 2023. E a da crítica era mais impressionante ainda: 100% no “tomatometer”. Unanimidade, meu! Nelson Rodrigues que me perdoe, mas nem toda unanimidade é burra.

E vamos à segunda temporada, enquanto a terceira não vem…

Anotação em julho de 2023

Alguém em Algum Lugar/Somebody Somewhere – A Primeira Temporada

De Hannah Bos e Paul Thureen, criadores, 2022

Direção Robert Cohen, Jay Duplass

Com Bridget Everett (Sam)

e Jeff Hiller (Joel), Mary Catherine Garrison (Tricia Miller, a irmã de Sam), Murray Hill (Fred Rococo). Heidi Johanningmeier (Charity, a sócia de Tricia), Mike Hagerty (Ed Miller, o pai de Sam e Tricia), Jane Brody (Mary Jo, a mãe de Sam e Tricia), Danny McCarthy (Rick, o marido de Tricia), Mercedes White (Tiffani), Meighan Gerachis (Irma), Jon Hudson Odom (Michael, o namorado de Joel), Kailey Albus (Shannon, a filha de Tricia e Rick), Josh Bywater (Coop), Brian King (Drew), Annie Munch (Monica, a chefe de Sam), Joe Dempsey (Randy), Ora Jones (pastora Deb)

Roteiro Hannah Bos & Paul Thureen (criadores), Patricia Breen

Argumento Hannah Bos & Paul Thureen

Fotografia Shana Hagan, Jim Frohna

Música Amanda Delores, Patricia Jones

Montagem Christopher Donlon, Al LeVine,

Casting Nicole Arbusto, Claire Simon

Desenho de produção Megan Fenton. Ashley Fenton, Craig Jackson 

Figurinos Lindsay Monahan

Produção Shuli Harel, Duplass Brothers Productions, The Mighty Mint

Cor, cerca de 210 min (3h30)

Fonte: 50 anos de cinema

Sergio Vaz

Jornalista, ex-diretor-executivo do Jornal Estado de São Paulo e apreciador de filmes e editor do site 50 anos de filmes.

Jornalista, ex-diretor-executivo do Jornal Estado de São Paulo e apreciador de filmes e editor do site 50 anos de filmes.

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