21 de abril de 2024
Colunistas Ricardo Noblat

Israel abre as portas do inferno para que engula os palestinos de Gaza

A invasão está prestes a começar.

E, no sexto dia, Deus criou o homem e a mulher, reservando o sétimo dia para descansarmos e louvá-lo, diz a Bíblia. O sétimo dia é o que os judeus chamam de Sabbath, Dia do Senhor.

Israel foi atacado por 3 mil militantes do grupo Hamas, apoiados por outros 1,5 mil, no último sábado. Neste, está pronto para invadir a Faixa de Gaza, onde vivem 2,3 milhões de palestinos.

O ajuste de contas de Israel deveria ser feito com o Hamas. Como o Hamas se esconde em meio aos palestinos de Gaza, o acerto será feito com os palestinos. É uma punição coletiva.

O homem desumanizou-se desde sua criação. Só em 2022, foram registrados 55 conflitos em 38 países, sendo que oito deles são considerados guerras, em que há mais de mil mortes por ano.

Por esse critério, o Estado de Israel já declarou guerra a um estado inexistente, o da Palestina. Dito de outra forma: declarou guerra a um povo sem Estado, como foram os judeus até ganharem o seu.

A idade média dos habitantes de Gaza é 17 anos. Algo como 45% dos moradores de Gaza têm 14 anos ou menos. Metade das mortes em Gaza, até agora, são de crianças e mulheres palestinas.

O mundo chora os bebês assassinados pelo Hamas em Israel, mas não chora os bebês de Gaza que já morreram sob o efeito de bombas. Israel lançou 6 mil bombas sobre Gaza desde sábado.

A retaliação de Israel matou 1,5 mil palestinos, um terço deles crianças, e feriu cerca de 6,6 mil, de acordo com levantamento feito ontem pelo Ministério da Saúde do território de Gaza.

Mais de 1,3 mil pessoas, incluindo 222 soldados, foram mortas em Israel. A maioria das mortes ocorreu em 7 de outubro. Os militantes do Hamas encontrados em Israel foram todos mortos.

Os bombardeios israelenses em Gaza destruíram 11 mesquitas, 90 escolas e 2.835 unidades habitacionais. Outras 1,8 mil unidades foram danificadas e tornaram-se inabitáveis, afirma a ONU.

A ONU revela ter sido informada por militares de Israel que cerca de 1,1 milhão de palestinos no norte de Gaza deveriam se mudar para o sul do enclave nas próximas 24 horas.

A ordem de evacuação provocou pânico entre civis e trabalhadores humanitários que já lutavam contra os ataques aéreos israelenses e o bloqueio. “É para sua própria segurança”, disseram os militares.

Um porta-voz de ONU respondeu à ordem de imediato:

“As Nações Unidas apelam para que qualquer ordem deste tipo, se confirmada, seja suspensa, evitando o que poderia transformar o que já é uma tragédia numa situação calamitosa.”

A ordem foi confirmada pelo governo de Israel. Na quinta-feira, o número de deslocados em Gaza aumentou em 84.444 pessoas, chegando a 423.378, informou a agência humanitária da ONU.

O embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, disse à agência de notícias Reuters:

“A resposta da ONU ao alerta precoce de Israel aos residentes de Gaza é vergonhosa. A ONU deveria se concentrar em condenar o Hamas e apoiar o direito de Israel à autodefesa.”

A única central elétrica de Gaza deixou de funcionar na quarta-feira por falta de combustível, desligando tudo, desde luzes até frigoríficos. Grande parte da região carece de água corrente.

O necrotério do maior hospital de Gaza entrou em colapso, pois os corpos estão chegando ali mais rápido do que os parentes à sua procura, relata a agência de notícias Associated Press.

“Não é possível continuar este trabalho” declarou Mohammad Abu Selim, diretor-geral do Hospital Shifa. “Os feridos estão nas ruas. Não conseguimos encontrar uma única cama para eles.”

Quando questionado, ontem, sobre os ataques a civis em Gaza, o presidente de Israel, Isaac Herzog, respondeu agitado:

“Com todo o respeito, se você tem um míssil na sua maldita cozinha e quer atirar em mim, eu devo recebê-lo para só depois me defender? Essa é a situação!”

Um jornalista perguntou a Herzog por que acreditar que o emprego esmagador da força militar de Israel produziria, desta vez, resultados diferentes das anteriores. Resposta irritada:

“O que você nos aconselharia a fazer?!”

Fonte: Blog do Noblat

Ricardo Noblat

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

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