Crivella e seus demônios

crivella_e_seus_diabosCrivella e seus diabos (Foto: Antonio Lucena)

Mesmo em descompasso com a ocasião, o tom da voz continuará o mesmo – calmo, acolhedor e persuasivo, marca postiça de certos homens que se julgam eleitos por Deus para divulgar a sua palavra.
Quanto ao dono da voz, está disposto a trombetear sua ira com as denúncias que o atingem há uma semana e que poderão levá-lo a morrer na praia antes do domingo da salvação. Ou da desgraça. Que assim seja!
Foi com tal estado de espírito que Marcelo Crivella (PRB), bispo da Igreja Universal, denominação neopentecostal fundada a quase 40 anos, preparava-se, ontem à tarde, para gravar os programas de propaganda eleitoral no rádio e na televisão a irem ao ar nos próximos dias.
Antes, pela manhã, em caminhada pelos bairros de Ipanema e Leblon, ele antecipou parte do que dirá.
Crivella considera-se vítima de uma campanha movida por veículos de comunicação e demais interessados em impedi-lo de se eleger prefeito do Rio.
É a terceira vez que concorre ao cargo. Perdeu as anteriores. Acha que jamais esteve tão perto de vencer. Admite que dificilmente tenha outra chance. Para ele é ganhar ou ganhar. Sem essa de cavalo paraguaio que dispara na frente e chega atrás.
Às centenas de pessoas que o escutaram, Crivella desmentiu sua prisão há 26 anos por ter usado a força para desalojar invasores de um terreno comprado pela Universal.
Criticou a revista VEJA que publicou em capa destinada unicamente a leitores do Rio duas fotos dele no ato de ser fichado na delegacia do Catete. E também o jornal O GLOBO e a TV Globo por darem espaço aos que o atacam.
O que a imprensa trata como prisão, Crivella prefere chamar de detenção relâmpago, que sequer durou 24 horas. É dele as duas versões que se conhece sobre o fato.
A primeira: “Estava revoltado. Acordei de manhã, peguei os caminhões que a gente tinha e fui pra lá. Arrebentei aquela cerca e comecei a tirar as coisas dos caras e botei em cima do caminhão. Mas não toquei nas pessoas”.
A segunda versão: “O que aconteceu é que eu sou engenheiro e fui chamado para fazer uma inspeção em um muro velho, que podia cair e machucar as pessoas. Desci do carro para bater umas fotos do lado de dentro do terreno. Quando tentei entrar as pessoas me impediram, achando que eu estava ali para retirá-las, criaram uma confusão. Fomos para a delegacia, e o delegado fichou todo mundo”.
Não houve processo, segundo Crivella. “Eu é que processei o delegado João Kepler Fontenelle por abuso de autoridade. Mais tarde ele me pediu desculpas, eu retirei o processo e perdoei”.
Na última sexta-feira à noite, Crivella foi à caça do delegado. Queria que ele gravasse um depoimento para seu programa de propaganda eleitoral. Ficou sabendo que o delegado já morreu.
De fato, não houve processo, mas inquérito, sim, desaparecido até meados deste ano. Uma vez localizado numa espécie de arquivo morto de cartórios, passou a fazer parte de um dossiê montado pelo PMDB para servir à candidatura de Pedro Paulo, afilhado do atual prefeito Eduardo Paes.
Pedro Paulo imaginava enfrentar Crivella no segundo turno. Crivella preferia enfrentar Marcelo Freixo (PSOL).
O PMDB de Paes está empenhado em eleger Freixo prefeito. Conta com o fracasso da gestão dele para se fortalecer e disputar o governo do Estado daqui a dois anos.
Como não sabe o que ainda possa estar por vir, Crivella reage ao seu estilo, vigia e ora. Ainda não vê motivo para desespero.
FONTE: BLOG DO NOBLAT

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