2 de julho de 2022
Colunistas Ricardo Noblat

Candidatura de Moro balança, balança, e está por um fio

É melhor para o ex-juiz já ir se acostumando com a ideia de morrer antes de chegar à praia

O ex-juiz Sergio Moro joga um fliperama na sede do MBL, em São Paulo
Reprodução/Instagram

Política não é para amador. O deputado Ulysses Guimarães (MDB-SP), que nos anos 1970/80 liderou a luta contra a ditadura militar de 64, dizia que o mais bobo dos deputados era capaz de consertar um relógio com os olhos vendados e usando luvas de boxe.

Onde estava com a cabeça a advogada Rosângela Wolff, mulher do ex-juiz Sergio Moro, quando o aconselhou a largar a toga para ser ministro de Bolsonaro, depois a pedir demissão e, por último, a lançar-se candidato a presidente da República?

No fim de fevereiro, os dois foram vistos jantando sozinhos em um restaurante de São Paulo. É um retrato da situação de Moro. O Podemos, partido ao qual se filiou, quer vê-lo pelas costas por não acreditar mais em suas chances de se eleger.

Quem ainda o apoiava era o Movimento Brasil Livre (MBL), que se diz liberal conservador, expressão do que se tornou conhecido como “nova política”, e que rompeu com Bolsonaro depois de ajudá-lo a derrotar Fernando Haddad (PT) em 2018.

Acontece que o MBL está com toda pinta de ser um paciente terminal. Há poucas semanas, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), um dos seus chefes, afirmou que a Alemanha não deveria ter criminalizado o neonazismo. Arrependeu-se, mas já era tarde.

Na semana passada, o deputado Arthur do Val (Podemos-SP), vulgo “Mamãe Falei”, disse que as mulheres ucranianas “são fáceis, porque são pobres”; foi o menos sexista que ele disse. O de mais passa pelo que ele faria na cama com uma delas.

A seção paulista do Podemos, a mais forte do partido, está pronta para apoiar a candidatura ao governo de Rodrigo Garcia (PSDB), que por sua vez apoia a de João Doria a presidente. Gastar dinheiro com a campanha de Moro não valeria a pena.

Moro é um candidato órfão de palanques pelo país. Nem ele, nem Rosângela, que manda mais nele do que se imagina, entenderam que políticos de todas as cores não perdoam Moro por ter tentado demonizar a política à época em que era juiz.

Há três anos, Moro teria sido eleito presidente sem precisar fazer campanha. Hoje, o sonho de sua mulher, comprado por ele, está por um fio. A vaidade é o pecado favorito do demônio.

Fonte: Blog do Noblat

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

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