12 de agosto de 2022
Colunistas Priscila Chapaval

Memórias de uma jovem aquariana livre, leve e solta!


Pedi demissão da Manchete e fui passar umas férias em Recife na casa de uma prima.

Já no avião, conheci um rapaz baiano que iria ficar perto da casa que eu ia me hospedar.

Bairro da Boa Vista, numa casa antiga em frente à Praça Chora Menino. Lugar lindo histórico perto de centro da cidade.

Ia à praia todos os dias com o novo amigo baiano. Ele tinha carro, me dava carona, e eu pagava o almoço num restaurante japonês perto do porto.

Uma delicia, que hoje nem existe mais. Íamos cedo para a praia e voltávamos no final do dia.

Depois de ficar quase 3 meses vi que era hora de voltar para a casa dos meus pais.

Muito a contragosto, volto para SP num daqueles voos da época. Eletra ou Caravelle que iam parando em todas as capitais.

Me  lembro bem que estava super bronzeada e o cabelo comprido e loiro surfista queimado do sol e mar. Vestia um terninho branco chiquérrimo (naquela época a gente se vestia bem para viajar de avião alguém se lembra? ). Era uma garota bem descolada.

Sentei numa fileira onde tinha um lugar vago do meu lado. Ótimo pensei, assim fico mais confortável.

O voo segue e para em Salvador, e demora para decolar, aguardando as pessoas do novo embarque.

Nisso entram os novos passageiros, uns homens lindos, bronzeados e quase todos com um berimbau nas mãos, que compraram para levar de lembrança da Bahia.

Fico torcendo para um deles sentar ao meu lado. Vejo que são italianos. E claro que o último a entrar era mais velho, o mais feio de todos, magrelo e alto. Elegante e sem o berimbau. Pede licença e senta do meu lado. Tinha que ser esse feioso, com tanto homem lindo para sentar do meu lado?

Virei para a janela e fingi estar dormindo. Mas era inevitável que teria que virar para ele até para pegar um copo de agua que a comissária me trouxe. Ele puxa o papo e eu tenho que ser educada. Começamos a conversar.

Contou que estava com uma equipe de modelos e o pessoal da Agência de Publicidade, pois escolheram o Brasil,  no caso Salvador, para filmarem um comercial da Martini. Mar, céu e gente bonita. Começou a falar comigo e me convidou para ir ao Rio, a próxima parada do voo.

Eu recusei, disse que voltava de férias longas em Recife, e que minha bagagem ia direto para SP. Ofereceu para eu ficar junto com todos que estava no avião, hóspedes  o Copa e que as roupas não seria nenhum problema pois poderia comprar outras no hotel.

Claro que recusei. Estava já cheia da insistência dele.

O avião aterrissa e todos descem. Ele me dá seu cartão de visita, mas não dei o meu. Pediu para eu  ligar ou escrever uma carta para ele.  E eu concordei só para ele ficar mais relaxado.

Quando chego em casa olho para o cartão dele. Entendi o porquê de tudo.

Era um dos donos da Martini&Rossi e morava em Paris na Avenue Poincaré. Lugar lindo e chic para se viver. Nunca escrevi para ele. Ele lá e eu aqui.
O tempo passou e anos depois vejo o Gregório (esse era o nome dele) numa foto na coluna social da Vogue Italia.  Tinha se casado com uma brasileira,  já que eu não quis (risos).  E dessa vez vi que morar perto do Arco do Triunfo em Paris não seria nada mal.
Alea jacta est. Vamos para o próximo voo
Jornalista... amo publicar colunas sobre meu dia a dia...

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