21 de abril de 2024
Saúde

Pesquisa aponta coletores menstruais como aliados contra infecções e ISTs 

O uso do item, segundo o estudo pioneiro no Brasil, está associado à manutenção da microbiota vaginal saudável 

A saúde íntima feminina tem ganhado destaque nos últimos anos como assunto de extrema importância, e cada vez mais mulheres têm buscado opções seguras e eficazes para cuidar de seu bem-estar durante o período menstrual. No mesmo período, estudos científicos surgiram para comprovar os benefícios do uso de itens reutilizáveis de higiene menstrual sob diversas perspectivas. No Brasil, foi divulgada recentemente a primeira pesquisa nacional, intitulada “O uso de copos menstruais está associado à manutenção da microbiota vaginal saudável: estudo longitudinal prospectivo*,” que comprovou os benefícios do uso de coletores menstruais à microbiota vaginal.  

Conduzido por uma equipe de pesquisadoras brasileiras, o estudo, publicado na Revista Placenta e Medicina Reprodutiva, vol 2, acompanhou mulheres saudáveis ao longo de dois anos com o objetivo de investigar a relação entre o uso de coletores menstruais e a saúde da microbiota vaginal. Foi constatado que o uso contínuo de coletores menstruais não apenas não afetou negativamente a microbiota vaginal, mas também foi associado a uma manutenção mais saudável dessa comunidade microbiana. As participantes relataram ainda maior conforto e liberdade durante o período menstrual, bem como uma redução na ocorrência de infecções vaginais. 

O motivo dos resultados, segundo Mariana Betioli, obstetriz especialista em saúde íntima, se dá pelo uso do item deixar a vulva arejada e por conta do material que são produzidos os coletores. “Por serem produzidos em silicone, um material inerte, os coletores não afetam o pH da vagina, mesmo em contato direto com o corpo. Além disso, diferente dos absorventes internos, os coletores não absorvem os lactobacilos e os fluidos naturais do corpo além do sangue, preservando a lubrificação da região e suas defesas naturais”, explica.  

Um outro estudo recente, realizado com jovens no Quênia, analisou o impacto do fornecimento dos coletores menstruais para alunas em idade menstrual em escolas da região. A pesquisa** conclui que alunas que utilizavam coletores menstruais mostraram, além de um microbioma vaginal mais saudável, uma redução notável na incidência de vaginose bacteriana e uma menor incidência de infecções sexualmente transmissíveis em comparação com aquelas que usavam produtos convencionais. 

“O surgimento de infecções sexualmente transmissíveis e o equilíbrio da microbiota vaginal estão diretamente conectados”, conta Betioli, que também é CEO da Inciclo – marca pioneira de itens reutilizáveis de higiene menstrual na América Latina, “Uma vagina saudável tem bactérias boas e lactobacilos que a protegem e deixam mais resistentes a possíveis microrganismos que causam IST”, completa. 

Segundo a especialista, diversos motivos podem gerar uma disbiose na região, como baixa imunidade, alterações hormonais, higienização inadequada e, principalmente, o uso de itens de absorventes descartáveis. “Quando se usa absorvente externo, a vulva fica abafada e em contato com o sangue, favorecendo a proliferação de fungos e bactérias, que acabam desequilibrando a flora e aumentando o risco de infecção. E no caso dos absorventes internos o desequilíbrio da microbiota acontece pela alteração do pH vaginal”, explica. 

Mariana ainda faz dois alertas: “Na hora de escolher o coletor menstrual, opte pelos que são feitos 100% em silicone medicinal hipoalergênico e sem corante. Produtos feitos com plástico, TPE, látex e com alguns corantes podem prejudicar a saúde íntima. Além disso, por mais que o uso de coletores diminua o risco de contrair uma infecção sexualmente transmissível, o uso de preservativo ainda assim se faz necessário”, alerta. 

Muito além de sua contribuição para a microbiota vaginal, Mariana destaca os coletores menstruais com vantagens plurais em relação aos métodos tradicionais de absorção de sangue menstrual. “Não apenas uma opção saudável e ecologicamente responsável, uma vez que são reutilizáveis, os coletores ainda proporcionam maior conforto e liberdade durante o período menstrual, já que podem ficar até 12h dentro do corpo sem nenhum risco”, conta. “Com os estudos recentemente publicados, podemos comprovar ainda mais os benefícios do coletor menstrual também para prevenção de infecções”, celebra. 

Os coletores menstruais têm ainda a vantagem econômica em comparação aos itens descartáveis. Por terem uma vida útil de até 3 anos, o custo, segundo a especialista, é muito inferior ao dos absorventes descartáveis, o que torna, na visão dela, coletores menstruais uma solução acessível, sustentável e eficaz para promover a saúde íntima feminina também em comunidades com recursos limitados. 

Para a CEO da Inciclo, as pesquisas fornecem evidências sólidas que podem ser utilizadas por diversas camadas da sociedade como profissionais de saúde, formuladores de políticas públicas, organizações dedicadas à saúde feminina, e claro, consumidoras, para promover a adoção de opções de higiene menstrual mais seguras e sustentáveis em todo o mundo. 

( *link da publicação do estudo aqui: https://www.hksmp.com/journals/prm/article/view/288/331

(**link da publicação do estudo aqui: https://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1004258)

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