21 de abril de 2024
Turismo

Cefalù, um passeio imperdível na Sicília

Cefalù: um programa imperdível! (Foto: Mônica Sayão)
  • INTRODUÇÃO

No post anterior falei sobre Palermo, capital da Sicília, que possui uma história muito rica e conjunto arquitetônico sensacional. Palermo situa-se na costa norte da Sicília, banhada pelo Mar Tirreno. Possui um porto que é o maior da ilha e por isso bastante movimentado, inclusive por navios de turismo. A cidade não oferece praias que chamem a atenção, mas há várias delas a uma distância de no máximo 1h30, que valem a pena ser visitadas. A oeste de Palermo temos Trapani e as ilhas de Favignana e Levanzo – lindas, e que merecem de um a dois pernoites.

Para leste temos Cefalù, que dista 70km de Palermo, e que é, na minha opinião, a melhor opção para se passar o dia. A cidade está classificada como uma das mais belas vilas da Itália pela Associazone Nazionale Comuni Italiani.

  • UM POUCO DA HISTÓRIA

A história de Cefalù se confunde com a de Palermo e com a da Sicília de uma maneira geral. Palermo foi fundada pelos fenícios (ou cartagineses) no século VIII a.C. Nessa mesma época os gregos fundaram várias cidades na costa leste da ilha, criando uma divisão da Sicília em duas partes.

Assim foi até o século III a.C. quando os romanos conquistaram a Sicília, após as Guerras Púnicas. Foi então parte da República Romana, depois do Império Romano e do Império Bizantino por vários séculos.

A Sicília foi tomada pelos árabes no século IX d.C. e esse foi um período muito rico e fértil. No século XI d.C. foi tomada pelos normandos, povo de origem viking que se tornou cristão e que habitava a Normandia, no noroeste da França.

Depois chegaram os franceses e mais adiante os espanhóis aragoneses, que dominaram a ilha por cinco séculos. Até Garibaldi e o rei Vitorio Emanuelle II derrotá-los, promovendo a unificação da Itália em 1861, movimento conhecido como o Ressurgimento.

A importância de história tão rica de influência de povos diversos se reflete no acervo arquitetônico de Cefalù. Há templos gregos, igrejas com interior bizantino, construções medievais e barrocas.

  • O QUE FAZER

1- Catedral ou Duomo:

Esse é o mais importante monumento da cidade. A catedral foi construída entre 1131 e 1240 a mando do rei normando Ruggero II, o mesmo que mandou construir a belíssima catedral de Monreale, junto a Palermo. Reza a lenda que Ruggero II mandou construir essa catedral por ter sobrevivido a um naufrágio próximo de Cefalù

O estilo dessas catedrais é o árabe-normando ou também chamado de estilo bizantino-normando-arábico. Os normandos tinham sangue viking, e como tal navegaram pelos mares e conquistaram muitas terras pela Europa. Mas não tinham tradição como construtores. Por isso utilizaram o conhecimento e técnica de descendentes de árabes e bizantinos que permaneceram na Sicília, e com os quais conviviam harmoniosamente. Os árabes eram grandes construtores e os bizantinos eram exímios nos mosaicos.

A catedral está localizada na Piazza del Duomo, rodeada por restaurantes simpáticos, com vista da fachada principal da catedral.

A catedral (Duomo) de Cefalù fica na praça central da cidade, a Pizza del Duomo, e possui mosaicos belíssimos em seu interior. (Foto: Mônica Sayão)
Interior da catedral de Cefalù: uma preciosidade! (Foto: Mônica Sayão)
Detalhe do trabalho em mosaicos no altar. (Foto: Mônica Sayão)

2- Corso Ruggero:

É a principal rua do centro histórico, que passa pela Piazza del Duomo. Nessa rua há vários outros restaurantes, cafés, sorveterias e lojinhas diversas. As ruas transversais próximas também são bem simpáticas. Caminhe sem destino por elas, vai valer a pena.

Perca-se pelas ruas estreitas, cheia de lojinhas e restaurantes, e algumas motos… (Foto: Mônica Sayão)
Caminhar pelas ruelas do centro histórico é garantia de boas surpresas. (Foto: Mônica Sayão)

3- Lavatoio Pubblico:

O Lavatório Público está localizado bem próximo da praia principal, no centro histórico. Era onde as lavadeiras da cidade passavam o dia lavando roupas e cantando canções típicas. É do período medieval e foi usado até meados do século XX.

Lavattoio Pubblico, ainda em uso até meados do século XX. (Foto: Mônica Sayão)

4- Subir até o alto da La Rocca:

Esse é um programa para poucos. Apesar de ter visitado Cefalù por duas vezes meus grupinhos de viagem não se animaram nessa aventura. La Rocca é o nome do promontório de pedra junto ao centro histórico e à praia, com 270m de altura. Dizem que a vista lá de cima é linda, posso bem imaginar. Mas é necessário preparo físico e bons calçados para a subida. Lá em cima estão as ruínas do Templo de Diana, provavelmente do século IX a.C.

Cefalù: primeira imagem da cidade vindo de Palermo, com destaque para a catedral e a montanha de pedra conhecida como La Rocca. (Foto: Mônica Sayão)

5- Curtir a praia:

Finalmente a praia! Talvez o maior motivo para estar em Cefalù. A combinação de mar calmo, límpido e verde, com arquitetura antiga e a Rocca atrás formam um cenário perfeito. Dar pelo menos um mergulho é fundamental. E, se possível, espere pelo pôr do sol. É mágico!

A praia principal de Cefalù. (Foto: Mônica Sayão)
Uma das entradas para a praia principal de Cefalù. (Foto: Mônica Sayão)

Assim é Cefalù: visite a catedral, se perca pelas ruelas cheias de roupas penduradas, entre nas lojinhas porque ninguém é de ferro, tome um delicioso gelato, e depois vá para a orla e se esbalde naquele mar delicioso. No final, entre num dos inúmeros restaurantes de peixes fresquíssimos e pense, assim como eu pensei, que a vida é bela.

  • COMO CHEGAR

O aeroporto mais próximo de Cefalù é o de Palermo, a 70km de distância. A partir de Palermo há duas opções melhores: pegar um trem em Palermo até Cefalù, com duração de cerca de 1h ou alugar um carro, principalmente se a pessoa for continuar viagem a outras cidades na Sicília.

A estação de trem em Cefalù é bem central e há viagens a cada hora pela empresa Trenitalia.

Há estacionamento para carros na cidade, um deles bem na orla, próximo das principais atrações do centro histórico.

  • QUANDO IR

A alta temporada para visitar Cefalù é nos meses de julho e agosto, época do verão europeu. Como nem tudo é perfeito, a cidade fica lotada e os preços de hotéis sobem. Sem contar o calor, que pode ser forte.

Minha sugestão é ir em maio, junho, setembro e outubro, quando o clima é mais agradável e a cidade menos cheia de visitantes.

Mônica Sayão

“Arquiteta de formação e de ofício por muitos anos, desde 2007 resolveu mudar de profissão. Desde então trabalha com turismo, elaborando roteiros e acompanhando pequenos grupos ao exterior. Descobriu que essa é sua vocação maior.”

“Arquiteta de formação e de ofício por muitos anos, desde 2007 resolveu mudar de profissão. Desde então trabalha com turismo, elaborando roteiros e acompanhando pequenos grupos ao exterior. Descobriu que essa é sua vocação maior.”

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