Nostalgia… glamour

Cristóbal Balenciaga foi chamado de “o mestre de todos nós” por Christian Dior. Segundo Coco Chanel, ele era “o único costureiro no verdadeiro sentido da palavra. Os outros eram simplesmente designers de moda. No dia de sua morte, em 1972, o Women’s Wear Daily publicou a manchete “O rei está morto”.
Tipo da cultura inútil, hoje supérflua, mas que muito me distrai e agrada.
Classe é classe, que me perdoem as peruas. Algumas até ficariam elegantes, como costumo dizer, se parassem de se arrumar 10 minutos antes de ficarem prontas.
Não basta ser bonita. Elegância é fundamental!
Hoje, NÃO pode ser bonita, o que temos é a exaltação do feio, do vulgar e do bizarro. Procuro nem ver, e me protejo ao máximo.

E, não sei porque, lembrei do “The one and only” Cristóbal Balenciaga. A Chanel contava que, ao levar seu cachorro para passear, Balenciaga recolhia os dejetos “número dois“ com um lenço branco imaculado, que ele tirava do bolso.

Comecei a trabalhar como jornalista como redatora de moda da revista Manchete. Tempo bons, aqueles.
Aprendi a redigir e aprimorar meus textos com Carlos Heitor Cony e Raimundo Magalhães Jr. Os dois da Academia Brasileira de Letras, antes de Paulo Coelho et caterva.
O editor da revista era o legendário Justino Martins, membro fundador do Festival de Cannes. Na sua casa da Joatinga, um projeto do Zanine, deslumbrante, Justino recebia as maiores celebridades da época. Da piscina descortinava-se, a perder de vista, a praia da Barra da Tijuca até a Pedra do Pontal, que delimita o Recreio dos Bandeirantes com a praia da Macumba.
Como Zanine não era arquiteto, quem assinava seus projetos era o Lucio Costa. Ele usava madeira de demolição e tinha um bom gosto instintivo. Insuperável. Madeira, vidro, rocha, céu e mar. Dei de presente para o Juto (era assim que a minha amiga do coração Alina Bulcão, irmã da Florinda Bolkan e da Odete Maria Ribeiro Brussolo também minha queridíssima amiga – o chamava) um pé de jacarandá.
As flores são azuis, lindas. Ele adorava plantas. Hoje em dia os jovens não sabem mais nem quem foram os Beatles e nunca ouviram falar na Florinda, Sofia Loren, Rita Hayworth, Lauren Bacall, Kay Kendall…
Engraçado, eu era a única mulher fotógrafa em Paris na minha época ,e era também a única mulher na redação da Manchete, um luxo só, concebido por Adolpho Bloch.
Todos os dias eu almoçava na mesa do Justino Martins à beira da piscina do prédio. Fazia parte do trabalho. O chão era de mármore, e comíamos com talheres de prata, copos de cristal bico de jaca e pratos de porcelana fina, servidos por garçons de summer.
Quem sempre almoçava conosco era o Carlinhos de Oliveira e os convidados famosos.
Não consigo me adaptar à atual pobreza intelectual, aliada a uma avassaladora falta de cultura. Sinal dos tempos.
Eu supro essa convivência “ao vivo” lendo muito.
Leio os melhores autores do mundo.
Só não dá para dialogar, mas confesso que hoje em dia não gosto mais tanto de falar, prefiro escrever.

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