9 de agosto de 2022
Junia Turra

A saga de uma renegada


Experimente ficar sem conexão…
Eu, em off ! sem WhatsApp, sem celular conectado. Não existo virtualmente! Logo, é como se eu não existisse no mundo real. Porque como fazer o mundo real funcionar, sem o mundo de recursos virtuais?
Queridos, estou “on the road”. E excluída da sociedade! Primeiro, me incluíram em um grupo do benzedeiro Chico Xavier… me poupem! Depois foi um de igrejola, me poupem de novo. E outro com informações de saúde não coma isso, não beba aquilo, não vá aqui, se exercite ou não se exercite ali. Não consegui sequer psicografar alguma coisa e muito menos pagar o dízimo… me desculpem, mas tenha a fé ou as fezes que quiser: não imponha aos demais. Mais do que isso, aprenda a usar a internet sem encher o saco e prejudicar quem usa a tecnologia para TRABALHAR e SE COMUNICAR e não SER RECEPTOR DE FANÁTICOS QUE QUEREM DOUTRINAR O PLANETA! Vá ser feliz ou infeliz, mas esquece os minutinhos de fama: o que é bom pra você é bom pra você. E ninguém merece ser para-raios, se não estiver nada bem pra você.
Ah, ainda tem os desesperados que com meia hora de silêncio on line, começam a ficar nervosos e a enviar mensagem para emails, e toda sorte de possibilidade virtual, ali, como se o tempo de um obrigatoriamente tenha que suprir a necessidade do outro.
Ansiedade no Brasil é MODE ON!
Resultado…
Primeiro travou o WhatsApp…
Avalanche de imbecilidades… Mas e o que eu preciso? E os amigos ? E os compromissos? E as informações? Sem contato.
E vale a lei de Murphy… o que travou na sequência foi o espetacular aparelho da Apple. “An apple a day pushes the doctor away”…
Eu, no meio do nada, sem nada… Excluída da sociedade, das noticias, do contato com os amigos e mais sério: eu uso o telefone e as possibilidades de comunicação via rede social, WhatsApp e afins para trocar ideia com amigos, me informar, falar com pessoas que são fundamentais para resolver todo um aparato em diversos lugares do planeta. Fiquei ilhada.
Ah, “homem nenhum é uma ilha”. Bobinho o título do livro: é sim… fica ilhado, fica sem ação se ficar fora do mundo virtual.
Dessa vez, sem lista escrita em papel…
Os telefones fixos as pessoas não atendem. Ainda mais com número desconhecido…. eu, ligando de tal cidade, de tal país. Consegui chegar a um notebook e entrar no Face. E acessar emails…
As pessoas acham que você está dando desculpas. Ficam desconfiadas. Como assim? Sem WhatsApp? Sem isso, sem aquilo, sem, sem sem… sem vida virtual?
Resumo da ópera: nessas horas, o que o computador de bordo, cérebro pode ajudar? Ora de usá-lo pra tentar navegar no planeta sem ser renegado. E tentar restabelecer as conexões.
Porque nessa viagem virtual não há volta. Mas quem pode o mais, não pode se esquecer que pode o menos: o mundo real, do “quem tem boca vai à Roma” vale há muitos e muitos mil anos.
E se renegada ainda, lembrem-se do Exterminador do Futuro – Mr. Schwarzenegger: “I will be back”!
Obrigada às pessoas que me ajudaram a sobreviver e atenderam meus sinais de fumaça para sair do off line! Entre eles Flávio Peixe, como sempre, expert em tecnologia e amizade, sabe que se o mundo real grita, é melhor atender… porque sou eu em apuros. E à Fabiana Fernandes, que sabe que o inacreditável pode acontecer comigo, mas dá-se um jeito. Ah, Denise Teixeira Cattaruzzi, que faz coro para eu rir de mim mesma: não tem nada melhor do que manter o Fair play!
Danke! Grazie ! Obrigada!

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Jornalista internacional, diretora de TV, atualmente atuando no exterior.

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