22 de maio de 2024
Junia Turra

A Arte da Manipulação


Jack Nicholson é pedófilo, Charlie Hebdo pode exibir cartoon com a bomba no cu de quem bem entender e aprenda sobre respeito – manipulação – lei – e Arte: arte é igual bunda, interpretação e gosto são pessoais e intransferíveis!
Apologia à pedofilia e ao uso de drogas é crime SIM! Não é arte. É a lei que determina. Polanski é perseguido até hoje por ter dado um tchuco na menor de 13 anos numa festa cheia de menores e maiores famosos. Mas a garota de 13 foi comida aos 8 por Jack Nicholson e daí em diante a mamãe dela lucrava no apetite de Peter Fonda, Nicholson e vai saber “guess who?”.
E depois Polanski comeu a velhota de 13 e alguém tinha que se lascar. O polonês judeu, of course! E Inhotim? Também exibiu coisa igual há uns aninhos, bancado pelo Valerioduto. Fotos em galeria no local com criancinhas e adultos e seringas e drogas. Eu e uma amiga diretora de certa emissora fomos ao local conhecer e ela ficou indignada: o responsável tentou falar alto, mas ao olhar o crachá que ela jogou no balcão, disse que “estavam encerrando a exposição”. E não é que encerraram mesmo? Na outra semana, c’est fini.
Mas, alto lá: Cristo esquartejado, cocô na tela, Mohamed com cabeça de viado, PODE! Dadaísmo era movimento que fazia uma merda, mas… Arte é movimento: faz parte a contradição e o questionamento. Mas é o público que bate o martelo. O artista pode colocar o foguete no rabicó do Papa: se você se sente ofendido, não vá!
Charlie Hebdo é a prova máxima da evolução da sociedade francesa que lutou por Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Errou e continua errando, mas avançou em liberdade sim: para as mulheres, no respeito à opção sexual, na igualdade do ser humano. E assim a Alemanha, Suíça , Áustria, Holanda, Escandinávia. Educação que ensina respeito.
A mostra do Santander tem cunho político e ideológico fora do quesito “cultura e arte”.
Assim como a mostra de Toulouse Lautrec no Masp tentando engajá-lo na questão do gênero. Sofrível!!!! Textos sobre as obras mal escritas e fora da realidade do artista e da obra dele.
Mas neste disse me disse lamenta-se a “tapadeza” inclusive de seres bem pensantes. O brasileiro cai como pato na estratégia do caos… Palmas para o marketing que vende a ideia que ter muitos negros num evento significa fim da discriminação. Deveriam lutar por educação gratuita e educação profissionalizante. Não era essa a pauta da UNE de Lindenberg Farias?
Liberdade de expressão tem limite sim. O da lei. Ou vamos à Bienal ver uma instalação com pênis de borracha sendo enfiados nas filhas, filhos, animais domésticos e congêneres de quem defende que arte está acima da lei. Não é esta gente a politicamente correta?
Vamos de guache e tinta a óleo. Pintem a cara de palhaço. É preciso? A Semiótica agradece… Ah, a fantástica manipulação dos signos…. Cheers!
Allez, Charlie Hebdo: quem se sentir ofendido, levanta a mão. Aliás, acho que não deve ter problema eu ter escrito a palavra ‘cu ‘ neste texto. Na dúvida, sei que vocês vão compreender. Afinal, tudo pela arte.

Junia Turra

Jornalista internacional, diretora de TV, atualmente atuando no exterior.

Jornalista internacional, diretora de TV, atualmente atuando no exterior.

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