Todas as meninas dançam


Ela vai para a pista. Para a estrada. Para o trabalho. Para a night.
Tanto faz.
Ela só quer dançar.
Tira os sapatos. Arregaça as mangas. Põe as mãos na cintura. A música começa.
Ela se transforma.
Apenas um pé se move, a princípio.
Depois o outro. As mãos acompanham, levemente bêbadas. Ela se mantém a distância do parceiro. Ela se aproxima. Se afasta. Joga. Ergue o queixo em convite e desafio.
Joga.
Seus olhos não desgrudam dos dele. Capturou-o. Se afasta. Sacode os ombros e volta.
Menina.
A música a possui. Se sacode. Possessa. Possui-o. Os olhos não desgrudam. Os olhos. O twist.
Chuck Berry forever.
Faz um movimento esquisito de braços. Ela dança. Louca. Os pés deslizam pelo piso acetinado, inquietos.
Que bom que essa música não terminasse jamais. Ele pensa. Ela dança.
Ela mergulha.
A menina dança como se ontem e hoje nem existissem em qualquer dos quatrocentos e setenta e nove universos sonhados e descritos por Einstein.
Eles não se tocam nem por uma fração de nanossegundo mas ele estará para sempre e mais uma eternidade e meia algemado ao tornozelo dela.
Que bom que essa música não termina jamais.
Todas as meninas, de todas as idades, dançam.
A vida.

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