28 de fevereiro de 2024
Joseph Agamol

Porque quem escreve é um fotógrafo às avessas

Foto: Lyuba

Penso que todo mundo que escreve é meio pancada, gira, tantã, zureta, aluado…
Gosto de aluado: é quem anda na companhia da lua? Um vampiro, um lobisomem, um saci-Pererê, como naquela antiga canção?
Porque, vocês me façam o favor de dizer, quem, senão quem escreve, vê um caminho florido e não vê mais o caminho florido?
Mas vê as palavras que evolam do caminho e se consubstanciam na mente de quem escreve em um outro caminho florido,
não mais o original, mas o que vai ser mostrado para quem não o viu?
Porque quem escreve é isso aí:
um tradutor do dia a dia, um alquímico para transmutar o chumbo da banalidade em lingotes de ouro puro do invulgar.
Um fotógrafo às avessas.
Porque o fotógrafo parte do real para criar um momento:
trata-se de separar uma lasquinha da eternidade, um caco de azulejo do Universo, eternizar o momentâneo, coisa de fino lavrar, também.
Enquanto quem escreve, escreve é para eternificar uma fagulha, cristalizar o que fulgura,
Labor de ourivesaria
Quem escreve meio que momentifica a eternidade.
(Hoje é o Dia Nacional do Livro – e, por extensão, de quem os escreve)

Joseph Agamol

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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