A Sociedade do Glacê

Um jovem Trump aperta a mão do então presidente Ronald Reagan – que nunca se permitiu ser glacê

Há alguns dias, surgiu a notícia de que o presidente americano Donald Trump foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, por seus esforços na reaproximação com a Coreia do Norte e no recente acordo entre Israel e os Emirados Árabes.

Imediatamente, a imprensa repercutiu o fato de que a indicação foi feita por um parlamentar de extrema-direita, numa tentativa de deslegitimar a ação.

O ex-presidente Obama foi, não indicado, mas ESCOLHIDO GANHADOR do Nobel da Paz em 2009, pouco depois de assumir seu primeiro mandato.

Quase ninguém perguntou o que, efetivamente, Obama fez pela paz a ponto de merecer o Nobel – no período no qual provavelmente estava mais ocupado aprendendo o caminho para todos os aposentos da Casa Branca.

E menos pessoas ainda sabem que Obama foi o primeiro presidente americano a passar todos os dias dos seus dois mandatos em guerra. Tropas dos Estados Unidos estiveram oficialmente em combate por todos os oito anos em que Obama esteve à frente do cargo.

Enquanto isso, Trump, que, ao assumir seu primeiro período à frente da Casa Branca, foi imediatamente alvo de profecias variadas que afirmavam que lançaria inexoravelmente o mundo numa Terceira Guerra Mundial, não disparou um único traque. Nem um mísero estalinho.

Apesar disso, Obama ainda mantém sua imagem como um homem que provavelmente canta “Imagine” todo dia no café da manhã. Ainda é visto como um grande estadista, um campeão da paz e da fraternidade entre os povos, quase um candidato a Buda.

Ontem, assisti o debate entre os candidatos a presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e Joe Biden.

Se antes eu tinha a impressão de que Biden não seria capaz de encontrar o caminho para, sei lá, um prostíbulo nem se fosse puxado pelo… cabelo, ao final do debate eu estava convicto disso. Mas, ao mesmo tempo, eu tive certeza que a mídia, hoje, afirmaria que Biden venceu o debate, apesar de sua extrema dificuldade para concatenar uma única frase coerente. Bullseye. Ou, como dizemos aqui, não deu outra.

Porém, no nosso mundo de hoje, isso não importa absolutamente.

Vivemos entre homens e mulheres de glacê, para os quais pouco ou nada vale a essência das pessoas. E sim o que elas aparentam.

O que transmitem ser. Ou o que SIMULAM ser.

Uma Sociedade do Glacê, que valoriza apenas a forma – acima de qualquer conteúdo. Mesmo que seja uma forma flácida, fluida, frouxa.

Aliás, PRINCIPALMENTE se for assim.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *