1 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Virou moda falar mal de Gil

E eu quase entrei nessa também, viu?

Até porque tenho o costume – se bom ou ruim, nem sei – de amalgamar a pessoa com a obra, tornando assaz dureza para mim apreciar uma bela canção ou um poema magnificamente engendrado por um crápula eventual.

Mas acontece que eu ouço Gilberto Gil desde que eu era um menino descalço, de joelhos eternamente ruços e alma idem, no subúrbio de Bonsucesso, nos idos dos anos 70.

Amava “Refazenda” e “Eu só quero um Xodó”, por exemplo.

Imagem: Google Imagens – YouTube

E hoje, “re-ouvindo” essas canções, descubro que elas mantém um frescor, uma doçura, uma espécie de sumo de manga em forma de música, que o tempo não desidratou.

O fim dos 70’s e o início da nova década me trouxeram uma das minhas músicas preferidas de todos, mas de todos mesmo, os tempos: “Não chore Mais”, a versão de “No Woman no Cry”, de Bob Marley, que é um daqueles casos raríssimos onde o original deixa de ser a referência.

A letra de “Não chore Mais” é de uma delicadeza e beleza, toda ela plena, prenhe, grávida de símbolos puros, bons, o pão, os amigos sentados, o sol, a manhã, quentar o frio, o pão, que acariciam a alma e o coração, até o seu final apoteótico, mântrico, quase uma reza, onde se clama, se grita, se dança:

Se Deus quiser, tudo tudo tudo vai dar pé.

Não, meus amigos. Desculpem.

Eu sou profundamente grato a quem acalmou as águas revoltas sob a ponte da minha alma por tantas e tantas canções.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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