18 de abril de 2024
Colunistas Joseph Agamol

O 14-Bis e a música mineira como a melhor do Brasil

Corria o ano de 1980. Eu era um guri de 15 anos, comprido e cabeludo, que gostava de escrever e tocar violão. Nas rádios – sim, ouvíamos música em rádios, caixas de tamanhos variados que reproduziam sons – tocava uma canção diferente, com uma letra levemente apocalíptica e um riff de teclados incomum: “Planeta Sonho”. A banda era o 14-Bis.

Logo outras canções do grupo pipocaram nas estações, como “Nova Manhã”, com seu solo final de guitarra à “Sultans of Swing”, do Dire Straits, e “Bola de Meia, Bola de Gude”, de Milton Nascimento, que chocou o público por incluir em sua letra o termo “sacanagem”, à época considerado um “palavrão”. Eram outros tempos. Receio que tenhamos piorado. Enfim.

Me apaixonei pela banda mineira, um dos expoentes máximos de uma sonoridade única na música pop do Brasil: o som de Minas Gerais, caracterizado por sua mistura de gêneros, como o rock progressivo, a música erudita, a toada brasileira, as harmonias vocais inspiradas nos Beatles – tudo isso acompanhado de generosas doses de música instrumental e embalado por letras intimistas e de um lirismo acentuado.

Não sei o que levou o Estado de Minas a produzir, durante os anos 70 e até meados dos 80, a melhor e mais universal música realizada no Brasil: seria a amplidão dos “Grandes Sertões”, a solidão das montanhas, as ruas ziguezagueando em ladeiras, o frio aconchegante, as cidades coloniais, as estradas do tempo do rei… tudo isso junto?

Seja lá o que for, se perdeu: provavelmente há, nesse momento, meninos e meninas tocando em (clubes de) esquinas mineiras mas… sua inspiração não será mais Beatles, Stones, Yes, Pink Floyd, ou os grandes músicos eruditos, como foi no passado nem tão distante assim.

Pouco importa. Como diz a música de Nascimento e Fernando Brant,

“Há um menino, há um moleque
Morando dentro do meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem para me dar a mão…”

PS: a seguirs incluo algumas das canções menos conhecidas – e mais bonitas – da banda. Ouçam: são peças delicadas e raras, nos tempos áridos que vivemos, e com certeza farão sua noite mais feliz.

Vejam os links do YouTube:

Joseph Agamol

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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