1 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Nomes

Fico pensando sobre como desapareceram os nomes de antigamente.

Quer dizer, não ANTIGAMENTE, beeeem antigamente, antigamente como um sinônimo de antanho, mas um antigo mais recente, de nomes que eram comuns nos anos 70, e que, simplesmente, saíram de cena, substituídos por modismos nominais acrescidos de muitos Ys e Ws.

Por exemplo: aonde foram parar as Sandras e Claudias?

Sandra era a menina mais bonita da minha escolinha, uma loirinha sardenta, mas eu vivia minha paixão inocente de tímido era por Cláudia, moreninha de cabelos negros como a musa de Alencar, que eu só conheceria no 2o Grau, junto com outras musas, como Capitus de Machados e Marílias de Dirceus.

Quêde a suavidade de nomes como Olívias, Cecílias e Eunices?

Em que lugar escondido do tempo ocultaram a imponência de Reginas, Cristinas, Márcias e Adrianas?

A beleza exótica de Sheilas e Mirtes?

A doçura que rola na língua ao pronunciar Madalenas e Mirians, Deises e Lúcias e Lucianas?

Desconfio que todos os nomes lindos deixados, por motivos insondáveis, em desuso, encontram-se em alguma cidade situada em uma fenda entre mundos.

Ou memórias, acondicionados delicadamente junto a guaranás caçulinha, faquinhas de plástico de bolo frapê, bonecos que vinham nos sacos de arroz e pingos de leite de nossas infâncias.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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