Diário da crise XXVI

Bolsonaro demitiu Mandetta e colocou o oncologista Nelson Teich no seu lugar. O que muda?

Andei escrevendo artigos durante o dia e conversando com o grupo do Porto Digital pelo YouTube.

Perdi os discursos. Posso recuperá-los, mas gosto de ver também as expressões faciais, a linguagem corporal.

Desde cedo, entretanto, minha posição é de que mudanças na política de Mandetta são limitadas. Combater o isolamento social, por exemplo, não leva a nada. Foi decidido por unanimidade que a decisão nesse campo compete a estados e municípios.

O que pode acontecer, creio eu, é um pouco mais de participação de Teich no entusiasmo pela cloroquina. É a margem de manobra que Bolsonaro tem, além de sabotar com atitudes pessoais o isolamento social.

Teich disse que quer fazer testes em massas. Quem não quer? Esse política leva ao conhecimento, permite saber quem está doente, quem já esteve doente, ela é a base de uma transição para o funcionamento pleno da economia.

O problema é ter os testes, conseguir insumos, reagentes, num mercado extremamente aquecido pois todos os países compreendem que os testes são fundamentais.

A decisão do Supremo foi importante pois segundo algumas pesquisas, antes da vacina, novos surtos podem aparecer. Isto significa que em certos momentos e certos lugares novas decisões de isolamento social podem ser tomadas. E serão tomadas pelos governos locais.

O governo anunciou, através do Ministro da Ciência, Marcos Pontes, um vermifugo chamado Anitta como remédio revolucionário contra o corona vírus.

O Ministro da Ciência disse que anunciou o remédio para trazer noticias positivas, levantar o ânimo. Será que isso levanta mesmo o ânimo. Remédios com sucesso in vitro nem sempre têm sucesso em organismos humanos.

De qualquer forma, Mandetta se foi. Eu o conheci antes de se tornar ministro. Tive muita boa impressão dele. Não me desapontou, pelo contrário cresceu na crise.

O que mais me impressionou em Mandetta foi a história de seu avô, um imigrante italiano que fabricava sorvetes e tinha uma luta feroz contra a Coca Cola. Morreu combatendo o gigantesco inimigo.

Quando tudo passar, voltarei a conversar com Mandetta pois gostaria de escrever o roteiro para um filme sobre seu avô.

Mas antes, temos de atravessar uma longa e tenebrosa crise.

Fonte: Blog do Gabeira

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