Diário da crise XLI

Pelo menos em cinco capitais do Brasil o sistema de saúde público está dando sinais de esgotamento.

Perto do colapso, dizem alguns médicos.

Nem todas as regras de isolamento social foram cumpridas. Na própria classe média, onde as coisas pareciam estabilizadas, houve novo crescimento da doenças. Isto se refletiu em novo aumento de pacientes no Hospital Albert Einstein.

No Rio, mil pacientes esperam lugar nos hospitais. As notícias vão trazendo uma sensação de descontrole e de medidas extremas, como o lockdown em três cidades do Maranhão.

Forças policiais ocupam as ruas para que as pessoas não saiam, exceto para as compras essenciais, em supermercado ou farmácias.

É um grande problema político. Não se conseguiu uma adesão ideal à tese de isolamento. Apertar as medidas de controle, inclusive com forças policiais na rua, não é uma garantia de êxito.

O isolamento foi sabotado por Bolsonaro. Os seguidores do presidente fazem carreatas pela volta completa ao trabalho.

O rigor vai aumentar os clamores por liberdade de ir e vir. Os direitos individuais já eram um tema na Revolta da Vacina em 1904.

A sensação que as notícias passam é a de estarmos num beco sem saída. No entanto, é preciso renovar as energias e empregar com rapidez o dinheiro que virá do governo federal.

Lembro-me na epidemia de dengue as negociações para abrir vagas também nos hospitais particulares. Participei delas. Os hospitais particulares hesitavam porque já foi feita a experiência e o governo deu o calote.

O momento é diferente. Há dinheiro e há algumas vagas. Por que não preenchê-las? Além disso, é necessário também avançar experiências como a de Brasília: aluguel de hotéis para os que não podem fazer quarentena. E as de Niterói: centros de quarentena para pessoas com sintomas leves.

É muito ruim a sensação de que se caminha para o matadouro e não há nada a fazer. Lembra um pouco a frase de Bolsonaro: e daí?

Por outro lado, começam a aparecer noticias de corrupção. O Secretário de Saúde de Santa Catarina foi destituído por comprar respiradores superfaturados.

Algumas empresas estão vendendo respiradores falsificados. Vendem mas entregam algo que não tem semelhança com o que anunciavam.

É preciso um trabalho forte de investigação porque desviar dinheiro nessas circunstâncias é um assassinato em massa.

Bolsonaro foi ao sul, sem se preocupar com a segurança diante do coronavírus. Estendeu a mão para dois generais e eles responderam com o cotovelo, indicando que seguem os preceitos internacionais de proteção contra a epidemia.

Uma instituição como o Exército que nasceu com forte influência positivista não iria abandonar seu apoio à ciência, sobretudo agora.

Bolsonaro passou pelo Exército mas aprendeu muito pouco.

Fonte: Blog do Gabeira

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