Diário da crise LXII

Hoje saiu o vídeo, o famoso vídeo. Tive de esperar, escrever um artigo rápido para o jornal e talvez comentar isso amanhã na tevê.

Para o que imagino uma reunião de Conselho de Ministros foi bastante bizarro. Parecia mais uma pajelança, uma tentativa de Bolsonaro de animar sua equipe.

A linguagem é singular. Não acredito que exista nada nos arquivos oficiais que seja parecido com isso. Há muitos palavrões, quase tudo na fala do presidente termina em palavrão.

Como escritor, achei interessante a maneira como ele se referia a uma vitória da esquerda: eles querem nossa hemorroida. Nunca tinha visto esta imagem para expressar a perda da liberdade. Os analistas que cuidem disso.

Preocupou-me a fala do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Ele diz abertamente que é preciso aproveitar a pandemia para fazer passar a boiada, isto é uma série de medidas enfraquecendo a legislação ambiental.

Ele já tem feito isto. O relatório do Human Rights Watch mostra que desde outubro as multas por desmatamento não são cobradas na Amazônia. Ele tem a mesma política em relação à Mata Atlântica.

Fiquei preocupado com uma nota do General Heleno. Ele reagia a uma medida protocolar do Ministro Celso de Mello. O ministro endereçou um pedido de perícia no telefone de Bolsonaro e seu filho Carlos, para apreciação do Procurador. Foi provocado por um processo movido por partidos políticos. Quem vai decidir isso é o Procurador, muito provavelmente recusando o pedido dos partidos.

Heleno ameaçou claramente com uma intervenção militar. Espero que as Forças Armadas não embarquem nessa aventura.

O momento é delicado. O Brasil é visto como um perigo por causa da destruição da Amazônia. Agora é visto como o epicentro da pandemia, com um presidente negacionista.

Qualquer aventura golpista colocaria o mundo contra eles, sem falar na resistência interna.

De qualquer forma, entramos num fim de semana. Espero que haja sol embora os fins de semana se pareçam muito aos outros dias. No meu caso, então, às vezes, há mais trabalho.

Quem puder escapar com a ajuda de um bom livro ou um bom filme, não perca a oportunidade. Segunda, o país e suas loucuras nos esperam como sempre.

Fonte: Blog do Gabeira

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