Diário da crise IX

O governo parece que deu um novo passo. A entrevista coletiva sobre o coronavírus não é apenas do Ministério da Saúde. Foi criado um comitê para gerir a crise, dirigido pelo general Walter Braga.

Esse comitê até hoje não tinha dado as caras. Zero entrevistas. Como gerir uma crise, sem se comunicar?

O Ministério da Saúde dava as entrevistas diárias. Aparentemente bastava, afinal o corona vírus é um problema de saúde.

Mas a verdade é que se trata de um problema tão vasto que envolve várias dimensões do governo. Uma delas, obviamente, é o de infraestrutura que precisa garantir o fluxo de alimentos e remédios e equipamentos médicos. O outro é a da economia que precisa proteger os trabalhadores e empresas para que não sucumbam.

A grande lacuna é a presidência. Bolsonaro tornou-se uma figura decorativa. Ele subestima a pandemia, é um símbolo internacional do negacionismo.

A luta contra o vírus pede unidade. Não tem sentido brigar agora. No entanto, a unidade só pode se fazer em torno de uma posição ditada pela ciência, aceita e aplicada internacionalmente por todos os países.

O Twitter apagou dois posts de Bolsonaro, assim como tinha feito com Maduro que andou propaganda poções mágicas contra o vírus.

Mesmo sem brigas, a luta será difícil. Vi um vídeo mostrando como os profissionais de saúde se protegem na Coreia do Sul: um super equipamento.

Será o que temos aqui em quantidade? Mandetta garante que está tudo sendo comprado. Leio notícias inquietantes na imprensa: ora sobre a contaminação de médicos em Volta Redonda, ora sobre escassez de equipamentos de proteção pessoal no Albert Einstein.

Porisso, de todas as inúmeras campanhas voluntárias que surgiram no Brasil, destaco a importância das que visam proteger os profissionais de saúde, com equipamentos e infraestrutura de repouso.

Estamos em guerra contra o corona vírus, dizem todos. Mas quem vai para trincheiras são os médicos e profissionais de saúde.

Quem por acaso comprou máscaras N95 deveria doar para eles e se virar com máscaras caseiras.

Todos nos concentramos nos leitos de UTI. São vitais, assim como os respiradores. Mas se os médicos e profissionais de saúde adoecerem?

No artigo do Globo de hoje, está disponível na página, esbocei apenas um problema que pretendo discutir no futuro, embora se fale nele nos EUA hoje e esteve presente na Itália: quem dever morrer primeiro?

Antes dele, talvez valha a pena conversar sobre morte digna, o que significa isto, que protocolo deve ser seguido nesse caso? Velórios já foram suprimidos, enterros possivelmente o serão.

O caso do cônsul do Suriname que morreu à mingua no Hospital Rio Mar não pode ser esquecido. A polícia abriu um inquérito, mas é necessário mais: um protocolo rígido sobre como tratar as pessoas nos seus últimos momentos.

Blog do Gabeira

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