A tecnologia dos carros autônomos, veículos que dispensam a ação de um motorista para circularem em ruas e estradas, é a bola da vez no mundo automotivo. Várias montadoras têm projetos já bem desenvolvidos nesse sentido, assim como corporações tecnológicas, como o Google. Já existem, efetivamente, modelos capazes de circular autonomamente em determinados lugares – a Volvo (no alto), por exemplo, planeja colocar no mercado carros que “se dirigirem sozinhos” em algumas cidades e estradas suecas, devidamente preparadas para isso, já em 2017. Alguns outros detalhes importantes, porém, ainda não parecem ter sido resolvidos. Um deles é como fazer com que os motoristas dos carros particulares mantenham a necessária atenção ao que “o carro faz” e ao caminho para, em caso de necessidade, assumirem o comando e evitarem um acidente. Isso porque, mesmo em vias perfeitamente pavimentadas, mapeadas e sinalizadas, há um grau de imponderabilidade, de coisas totalmente imprevistas ou de falhas ainda não coberto pelos sistemas de inteligência artificial.
Os táxis, aliás, são talvez o principal – e certamente o mais atraente – mercado para os carros autônomos. Não por acaso, a Uber está montando um centro de pesquisas totalmente dedicado ao desenvolvimento dos veículos auto-conduzidos, além de ter pré-encomendado carros desse tipo que a Tesla pretende comercializar a partir de 2020. E sua principal rival nos EUA, a Lyft, recebeu da General Motors, há poucos meses, um investimento de 500 milhões de dólares com o mesmo objetivo.
Por enquanto, o que há de concreto em termos operacionais reais são sistemas que permitem com que os motoristas descansem em vias expressas e estradas principais, nas quais não existam cruzamentos e que estejam perfeitamente sinalizadas. A já mencionada americana Tesla, ponta de lança em carros elétricos de luxo, já desenvolveu um piloto automático que, segundo li, já se sai muito bem nesses caminhos – mas nem tanto dentro de cidades ou em estradas secundárias. A Mercedes já fez testes bem sucedidos com protótipos do gênero, assim como concorrentes. E a Nissan, outra que é pioneira em modelos elétricos com seu best-seller Leaf (ao lado), divulgou agora em janeiro que planeja lançar 10 novos modelos com direção automatizada até 2020.
Por outro lado, pensando um pouco dentro da lógica “Google”, que usa os dados do que você vê e busca na internet para lhe oferecer produtos e serviços em praticamente todas as janelas de navegação que você abre na tela, não duvido que um táxi ou mesmo carro comprado autônomo, acabemos sendo literalmente conduzidos por caminhos e até a destinos patrocinadores da empresa.
Ou seja, você embarcará no automóvel auto-dirigido e ele, ao reconhecer o seu perfil, escolherá um trajeto que passa por lojas, shoppings etc. que, de alguma forma, o lembrem ou estimulem a consumir produtos ou serviços que ele “sabe” fazerem parte de seus hábitos.
É também provável que, assim como a opção “navegação privativa” do browser de seu aparelho (tablet, PC ou smartphone), você tenha de acionar algum comando que desative essa intromissão, quem sabe, optando por pagar um pouco mais caro pela corrida em troca disso. Que tal?