Onde foi parar toda a arrogância e o azedume da oposição entre as pessoas?

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Ideias postas e sobrepostas de uma trégua obrigatória tornaram todos comuns. Suscetíveis e paralelos a uma realidade que ninguém escolheu.

Onde estão mãe e filho que mal se viam e agora perceberam que um e outro doam sorrisos mais gentis? A casa tornou-se o melhor lugar do mundo para se estar.

Aquela janela que se abria pouco às seis horas para um fiapo de luz entrar, agora permanece esquecida ao longo do dia até a noite chegar.

A trégua obrigatória mudou o modo de viver. Ruas vazias, comércio fechado, praias desertas, vizinhos mais solidários. Jovens se preocupando com os mais velhos e estes com seus netos.

Os bichos domésticos mais felizes porque para eles os domingos serão infinitos.

Em alguns locais do planeta o mar azulou e se tornou cristalino. A mata cresceu e os pássaros cantam mais cedo. Sem os humanos se impondo em tudo a todo instante é possível restaurar o equilíbrio do meio natural.

Enquanto a batalha é travada nos hospitais, as famílias se preparam para dias sombrios.

Milhares partirão.

Os que ficarem guardarão memórias pouco felizes de suas perdas.

A sobrevivência será o único e precioso bem. Além disso só a imaginação para arrefecer tamanho isolamento.

Ninguém sairá impune dessa arrasadora e invisível maré. Todos trancados em seus lugares e em si mesmos.

Uma trégua obrigatória para pensar. Cada qual com sua dor.

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