21 de julho de 2024
Colunistas Joseph Agamol

Eu, o “capiau ignorante”

Foto|: Google Imagens – O Dia

Ontem, assisti o trecho da entrevista do Homem Invisível de Garanhuns, o que é sem nunca ter sido, ou aquele que não se deve nomear, como queiram, quando declara que o atual presidente tem um jeito de “capiau ignorante” do interior de São Paulo.

Fiquei matutando. Aliás, como morador do interior do Estado de São Paulo, “matutar” me cai bem. Fiquei em dúvida sobre qual sentido o ex-presidente atribuiu à palavra “ignorante”, já que ele próprio nunca demonstrou muito apreço pela educação – nem pessoal, muito menos como governante, possuindo, portanto, uma certa dificuldade com as palavras, digamos.

Popularmente, diz-se que uma pessoa é ignorante quando é rude, deselegante, grosseira, no linguajar e em seus atos.

Se foi nesse sentido, posso garantir que não há nada mais longe da realidade: apesar de ser carioca do subúrbio, resido no interior de São Paulo (“capiau”) há quase seis anos – e o povo daqui me acolheu calorosamente, amorosamente – “caipiramente”, talvez dissesse o ex-presidente.

É impossível andar pelas ruas da minha cidade “capiau” sem receber, de ilustres desconhecidos, “bons dias”, “boas tardes”, “boas noites” – gestos que, no prédio onde morava antes, nem dos moradores eu via com frequência.

É impossível anotar todas as gentilezas, todos os bem-quereres, todos os abraços, reais e virtuais, que colhi do povo dessa cidade – caipira, ou capiau, como disse o ex-presidente. Vocês me desculpem usar toda hora a expressão “ex-presidente”, mas é que só a menção do nome do dito-cujo me causa urticária.

Porém, como eu disse antes, sendo ele homem de pouca leitura, poucos saberes, acadêmicos e/ ou humanos, pode ser que tenha conferido o sentido mais aplicado à expressão “ignorante”: aquele que desconhece.

Se for assim, o ex-presidente tem uma certa razão.

Nós, os “caipiras”, os ”capiaus”, somos mesmo “ignorantes”:

Ignoramos, desconhecemos, esse desamor, esse preconceito estúpido, tão usado por ele nas tentativas de divisão do povo brasileiro, através do “nós contra eles”, manobrado como vis manobras para conquistar votos.

Nesse sentido, digo ao senhor ex-presidente, que nós, representantes do povo do interior de São Paulo, que trabalha, que ora, que cria seus filhos, que batalha a cada dia, somos mesmo uns “caipiras”, uns “capiaus”, uns “ignorantões”.

Assinado: eu, o capiau.

Aliás, ”capiar”.

E com orgulho, viu?

Joseph Agamol

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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