O dia em que eu odiei não ser rica


Tive uma grande amiga que infelizmente não quer mais papo comigo. Devo muito a essa amiga, mas o então namorado dela foi inconveniente comigo e ela, em vez de acabar com o namorado, preferiu acabar a nossa amizade. Até hoje sinto vontade de procurá-la, mas deixa pra lá.
Pois bem, ela era afilhada do dono de uma falecida loja de eletrodomésticos e me convidou em 1900 e antigamente para ir ao sítio dele em Vassouras. Lá fomos nós e mais alguns amigos.
Tudo perfeito a começar pelo céu cheio de estrelas. Três piscinas, um quarto só para mim, salão de jogos, charrete, horta, trocentos cachorros, freezer doméstico que até então eu não conhecia, enfim uma maravilha.
O dono da loja era de uma simplicidade sem limites e todos os seus empregados o idolatravam. Não era falsidade. A filha dele comentou que ele exigia que os filhos dos seus empregados estudassem até o Segundo Grau. Um homem especial.
Depois eu soube que a falência da sua rede lojas foi algo sujo, como foi a da Panair. Bom, deixa pra lá de novo.
Até que eu voltei para casa no domingo de noite. Achei tudo tão sem graça e pobre. Aquele apartamentinho de dois quartos no bairro menos valorizado da Zona Sul do Rio, localizado na Rua Voluntários da Pátria, uma das mais engarrafadas e traumáticas, rs e para piorar de fundos.
Felizmente esse foi o único momento em que eu fui babaca.
Eu não sei o que a vida vai me oferecer, mas se algum dia eu tiver de morar em Ipanema, Paris, Manhattan ou qualquer outro lugar chiquerésimo no mundo, a minha alma, a minha história é botafoguense (não o time, please e sim o bairro). Ali está o meu ninho, o meu lugar.
Nunca mais morei lá depois que me casei, mas eu carrego Botafogo dentro de mim.

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