O Melhor lugar do mundo

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As pessoas são tão estranhas… Principalmente em dezembro. Falam coisas bizarras como “Feliz Natal, Feliz Ano Novo”…

Boas entradas a todos e vocês sabem exatamente o que vai entrar e onde!

Absolutamente por falta de opção, dia 22 de dezembro (ontem, na hora do almoço), fui a um shopping comprar euros para distribuir aos pobres. Pior que shopping em dezembro, só La Paz com chuva! Quer dizer, tem também estes pernilongos e mosquitos atacando minhas pernas agora.

Um calor panamenho de derreter camelos quenianos e catedrais senegalesas. Gente inútil ao borbotões. Inútil sim. Como vocês chamam estas pessoas que, mesmo sem dinheiro, lotam os shoppings?

O zíper estragou e minha calça ficava caindo. Eu com uma caixa na mão, transpirando como um porco cearense no sertão da Paraíba.

Quando me preparava para fugir de lá, encontro uma amiga, Vaninha. Estudamos juntos e depois moramos em Paris à mesma época. Nesta situação suína, meu humor já havia caído uns 20 andares.

Papo rápido, despedida, mas logo depois, eu esperando táxi, encontro com a mesma amiga ainda cheia de vontade de conversar, perguntando pela minha saúde, seu eu ia viajar, me desejando feliz Natal e Ano Novo. Ela também queria um táxi, mas tinha que ser um que aceitasse cartão… Com o resto de paciência que eu tinha no bolso furado – por onde caiam minhas chaves até a canela da calça furada e despencando – ofereci-lhe carona, sabendo que ela era quase vizinha, era no caminho…

Fomos conversando bobagens e graças a Deus, o táxi tinha ar-condicionado. Com o motorista atento à conversa e ao trânsito pesado das 14h, ela perguntou se eu ia via viajar. Não contei que estava no shopping, comprando euros para os pobres, porque ela sabia que era mentira e faria muitas perguntas chatas. Fiquei quieto, mas ela insistiu em contar que passara três meses em Madri na casa de uma amiga, depois visitara a filha em Rotterdam. Aí começou a ladainha latino americana do Mercosul da América Latrina:

– Walter, lá tá muito caro… nem pude ir à Paris… A Europa não é mais a mesma… Tem quanto tempo que você foi lá?

– Fui ano passado. O Brasil está mais caro.

– Não, lá tá muito mais. E cheio de pedinte, pobreza.

– Lá tem qualidade e os pedintes aumentaram por causa dos refugiados. Mesmo com a crise econômica na Grécia, Portugal, Espanha… No Brasil, até a crise é mais crise.

– Tudo que tem lá tem aqui.

– Nem tudo, o perfume que você usa, por exemplo (Empreinte de Courrèges, que só é vendido na única loja da Courrèges, em Paris, no 16e – sei disso porque eu fui lá comprar um vidro pra ela e outro para uma ex-namorada minha, Andréa), só tem lá e até lá é caro. Aqui, é “incomprável”.

– É verdade, mas só perfume.

– Só perfume?

– Transporte público também.

– Transporte, Educação, Saúde… Cultura. Museu. Você já ouviu falar em Incêndio no Louvre? No Museu D’Orsay?

– É… Mas lá tem o Bataclan.

– E aqui tem Mariana. E não foi o Estado Islâmico que colocou bomba na barragem… E tem mais, Vaninha, senti muito, mas só pelo prédio em São Paulo, porque este Museu da Língua Portuguesa já vai tarde… Isso é um engodo. Como este Museu do Amanhã, no Rio… Museu é passado, amanhã não existe. Isso é tudo desculpa pra dar dinheiro a curadores, conselheiros, consultores… Museu é acervo, é história, o resto é enganação, instalação pra boi dormir e inglês de Olimpíada ver. Museu no Brasil é como o sábado, uma ilusão!

Sorte o táxi deixá-la em casa antes de eu terminar minha própria ladainha de subdesenvolvido. Deu tempo nem de contar que, enquanto eu comprava euros, xingava o PT e esse novo Sinistro da Fazenda, Nelson Barbosa – se ainda fosse Nelson Rodrigues… – que fez o dólar e o próprio euro subirem ainda mais.

O foda no Brasil é isso. Eu que não votei em PT fico aí pagando o pato. E quem votou não sabe nem o que é euro; merece mesmo é museu em chamas, melhor, acariciar um cachorro em chamas!

Cheguei. Agradeci e louvei o ar-condicionado do táxi, ar civilizado. E ainda completei com o motorista: “Esqueci de falar à minha amiga que no fundo ela tem razão. O Brasil tem muito mais que a Europa, tem Renan, Cunha, STF, dengue, chincungunha, zica e surto de microcefalia…

ps: O motorista riu. Rico ri à toa.

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