Estupra, mas não minta

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‘Estupra, mas não mata’. Em 1989, o candidato Paulo Maluf teve a infelicidade de pronunciar esta frase em uma palestra na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.  Maluf é dono de vastos pecados e crimes, mas não estava incentivando o ignóbil e hediondo crime de estupro. Ele foi infeliz e ainda mais ao servir de alvo dos correligionários da má fé, daqueles que não quiseram entender o que disse realmente. No fundo, tudo o que Maluf pedia era para não matar.
Como muita gente diz, “Rouba, mas não precisa matar…”. “Roubar, tudo bem, mas matar não”. O bizarro é que, em 2007, não vi condenação parecida quando a sexóloga e então Ministra do Turismo, Marta Suplicy, em pleno Apagão Aéreo, aconselhou aos passageiros “relaxar e gozar”; alusão ao bordão “se o estupro é inevitável, relaxa e goza”. Dois pesos, duas…
Estupradores e defensores do estupro merecem todo o rigor da lei, é um crime abominável. Na Índia são empalados em praça pública. Estupro é coisa de doente porque dá nem pra entender. Se já é difícil transar com uma mulher quando ela está sem vontade, olhando pro teto, pensando nas compras do supermercado; imaginem transar a força. Só um monstro pode gostar e se excitar com isso!
Pausa.
Massacram o nadador americano, Ryan Lochte, pela “mentira” que contou, sobre o assalto que inventou. Eu diria, sobre a brincadeira idiota que ele criou. Brincadeira idiota, sem graça e de péssimo gosto. O que não justifica tudo o que falam e fazem contra ele. Eu o entendo. Um bobo prepotente e arrogante, achando-se poderoso norte-americano num enorme parque de diversões ou numa República de, e das Bananas… Achando que podia fazer aqui o que quisesse, aqui, neste enorme parque de diversões, nesta República de e das Bananas que é o Brasil.
O medalha de ouro e amigos estavam bêbados. Quem nunca fez besteira quando bêbado feliz ou infeliz que atire a primeira garrafa! Ele não matou, não roubou, não estuprou. Quebrou um pôster barango num banheiro de posto de gasolina e ainda pagou pelo estrago, muito mais do que devia.
Ok, ele mentiu? Grave! Inventou um assalto à mão armada, com caras uniformizados de polícia? Pior ainda. Merece punição? Sim. Mas, proporcional ao crime, vamos combinar? Ou não? Querem sangue, né? Querem crucificar um imbecil…
O “engraçado” é que, na hora, ninguém duvidou dele, por quê? Pelo contrário, o mundo inteiro acreditou no absurdo, principalmente os brasileiros, por quê?
Ele não inventou a violência no Rio de Janeiro. Não inventou maus policiais, uniformizados ou mascarados, que abusam da autoridade e matam muitos inocentes, em chacinas. Ryan Lochte não inventou que grande parte das armas apreendidas com bandidos, são de “uso exclusivo das Forças Armadas”. E eles não ganharam ou roubaram estas armas…
Ryan Lochte, o idiota, apenas aproveitou-se da fama mundial do Brasil e quem tem fama deita… E deve ter pensado: “Aqui no Brasil isso é normal, vou aproveitar…”. E sinceramente, não fossem as câmeras do posto de gasolina, todo mundo teria acreditado nesta “falta de absurdo”.
Nacionalismo barato, complexo de inferioridade, ódio aos Estados Unidos e a todos os países semelhantes. Raiva e inveja dos ricos que sempre levam, merecidamente, toneladas de ouro em medalhas.
Vejam o que fizeram com a goleira dos Estados Unidos, a linda Hope Solo. Bem humorada, ela posou com uma rede protetora contra o mosquito do Zika vírus, no Facebook. Pra quê? Foi execrada e condenada aos gritos de “Zika” em todos os estádios do Brasil onde jogou. Agora pergunto: Hope inventou a Zika? Ela é culpada pela calamidade que é a Saúde no Brasil? Quem estava morrendo de vergonha dos estrangeiros por causa do famigerado mosquito assassino? Eu estava, e mais, ainda tenho medo de Zika, dengue, etc; estas doenças medievais que adoram o Brasil do Século 21.
Dizem que o episódio dos nadadores americanos foi o maior escândalo durante as Olimpíadas do Rio. Não concordo!
E os australianos falsificando credenciais?
E o ônibus com 12 jornalistas atacado com pedras (ou tiros) na via expressa, com faixa exclusiva para os “olímpicos”?
E a água verde da piscina?
E a poluição do mar e da Lagoa Rodrigo de Freitas?
E as vaias demolidoras contra o francês, os argentinos e outros hinos?
E agora, as cerejas do bolo: e os dois boxeadores que foram presos por estupro ou tentativa de: Hassan Saada, do Marrocos e Jonas Junias, da Namíbia?
Estupro e tentativa de estupro, não são muito piores que a mentira de Ryan Lochte? Por que a inofensiva mentira ganhou mil vezes mais repercussão que o verdadeiro crime hediondo? Porque eles estupraram, tentaram, mas não mataram?
PS: pronto, podemos retomar as atividades normais, FORA DILMA!

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