Dedetizando o D e o T

DSC06618
Não gosto mais da letra D. Nem das palavras iniciadas em D. Na ditadura Walter Navarro vou mandar tirar letra e música do D na língua portuguesa. Tudo com D deve ser condenado a trabalhos forçados. Peguem a palavra “dadeira”, por exemplo: “mulher propensa a chiliques”. “Dadeiro”: “aquele que dá faniquitos… E olha que nem estou dando a conotação sexual que achei no Houaiss…
O cidadão que vai soletrar uma palavra ao telefone, sempre diz D de dado, não é verdade?
Dado… Dado dá cena de sangue e de crime na avenida São João: “De noite eu rondo a cidade…”. D de diamante. Bonito né? Vocês gostam de diamantes? Diamantes são de sangue, perguntem ao Leonardo DiCaprio. Diamantes só gostam da Marilyn Monroe… Objeto cúbico usado em jogos de azar. Não pode dar certo.
Dedo… Dedos são úteis. Não vou cortá-los, em homenagem ao Vinicius de Moraes que, muito antes do Viagra, declarava: “enquanto eu tiver língua e dedo, mulher não me mete medo”.
Meter o dedo… Botar o dedo na ferida. Sujeito cheio de dedos. Chupando dedo. Pelo dedo se conhece o urologista gigante. Captaram?
Dismorfia. Deformidade.
Aí, alguém vai falar: E a Doris Day que é duplamente D? Aí respondo que a exceção confirma a regra. Que, além de deliciosa voz e apesar da carinha de santa (do pau oco), de eterna virgem; no cinema, me “provocava curiosas sensações nos baixos meridianos”. Em mim e no Ruy Castro, quando tem saudades do Século 20.
Dormido, pão dormido…
Sabem o que é um dorobo entre os hindus? Armação coberta de palha, localizada no interior da casa e destinada a abrigar o corpo de uma pessoa morta. Só necrófilos gostam de um bom dorobo, não é mesmo?
Droga! Há controvérsias, como Deus.
Doméstico.
Doméstica! Dona Flor. Há controvérsias.
Dízimo.
Diarreia. Disenteria. Dinheiro.
Doença, “muléstia”…
Dor de dente. Dodói: escoriação, ferida.
Dodo ou dodó: ave columbiforme, não voadora, eram endêmicas das Ilhas Maurício (oceano Índico), de asas curtas e grande porte. Extinguiu-se no final do Século 17 devido à caça indiscriminada. Dodô também quer dizer tolo, bobo, estúpido. E aí tenho uma historinha pra contar. Em 2012, numa madrugada de hotel e whisky em Havana, Cuba, vi na TV um documentário sobre o pássaro dodô. E ele era tudo isso mesmo e mais. Extinguiu-se sim, pela caça indiscriminada, mas muito mais por ser como algumas pessoas; era tão bobo, tão inocente, tão ingênuo e sem maldade, que acreditava em todo mundo. Nem precisava ser caçado, coitado, ia de encontro a seus algozes. Fiz uma foto dele, na tela da TV, se eu achar, ilustro esta crônica com ela.
D! D de Dilma, D de Dunga!
Gosto da letra T. Na ditadura Walter Navarro, vou dar todas as palavras em D para a letra T.
Tédio com um T bem grande pra você.
T de Ilha do Tesouro, livro de minha e de muitas outras infâncias bonitas de Robinson Crusoé. T de Eu Te amo você.
T de Tugúrio.
T de tatu. De tesão.
T de tigresa, timoneiro, Temístocles, tudo e Tudor. Te adoro Teodora. T de tarado, túmulo, nega Teresa, de tempo, de televisão, telha, telúrico.
Meu filho chamar-se-á Telurífero: que contém telúrio: elemento químico de número atômico 52.
Tolerância. Timbuktu. Tchernobyl. E tchervonets? Boa essa, não? Nome genérico que os russos davam a qualquer moeda de ouro estrangeira. Iiiiiiii… Me deu vontade de ver a perestroika de alguma tchetechena…
Tchernobyl e Tchetchênia… O T tudo simplifica. Foi por falta de T e não de cultura, claro, que o Lindbergh Farias confundiu Chile, China e Pinochet. Se fosse Tchile e Tchina e Pinotche…
E o Tomás Turbando do José Eduardo Cardozo? CarBozo… Rolando Lero…
PT.. T.. T de Partido da Tornozeleira Eletrônica… Melhor seria uma elétrica ou uma Torradeira Elétrica no tornozelo, no cotovelo… Tarugo. Taj Mahal. Tagina, perdão, tajine, terrina. Tebaida: profunda solidão.
Tálamo…: leito nupcial, conjugal…
Talharim.
Trufa. Tundra. Tunfa!
T de tamarindo. De tambaqui: peixe teleósteo caraciforme da família dos caracídeos, encontrado no rio Amazonas e afluentes. Me deu desejo de lambari frito.
Tabaréu. Tabasco. Tilápia. Tabaco. Granada y Tobago…. Tubérculo. Tango. Tortura. Tarantino. Tabariz dos Bee Gees era um bordel dançante do Chico Buarque em “Bye-bye Brasil”?
Noites na… Noites da… Taberna, Taverna!
Até o talo…
Tâmara que dá na Árvore dos Tamancos. Tambor, tampa, tampinha e tampão. Tanatos.
Tantas palavras: Tangará, tangerina, Tânger, tergiversar, tumor, tanto tantrismo. Tanzânia. Toscana. Tapume e tapeçaria. Tapa-sexo, taquara, taquígrafo, tramela, teta, a tarântula da vizinha do 803…
Agora, ganha um quibe vencido, quem souber o que é tarantulismo! Não, não é o vício em tarântulas de vizinhas. É sim uma afecção nervosa caracterizada por um desejo incontrolável de dançar, atribuída à picada de aranha… Sei… Picada de aranha ou na aranha? Calor na bacorinha? O popular fogo no rabo? Faz sentido e agora vejo que dei risada de uma tragédia. Toda piada é uma tragédia, depende de que lado você está. Amigo Marcelo diz que foi pro interior com um primo, muito machão. Depois de tantas, lá pelas tantas foram à uma boate, tipo Tabaris… De repente o primo vai pra pista, coloca as mãos na cintura e grita com voz de “alce”: “Ai que vontade louca de dançar…”. E eu, ignorante, não sabia que era tarantulismo agudo crônico. E eu, maldoso, cantando a marchinha “Será que ele é Cabeleira do Zezé”.
T! T de Temer, T de Tite!
ps: E a letra L de Lula? Depois do L vem M, de Moro…

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *