Hoje à tarde, eu estava no balcão de um bar, onde fui beber um suco verde, um Crush ou um Toddynho.
Como não sou Beethoven, escutei a seguinte conversa:
– E aí? Tomando um whiskynho, né?
– Claro, é segunda feira…
Se depois de ouvir isso e rir, eu tivesse ido embora, teria pensado que o cara do whiskynho era um canalha, alcoólatra, bebendo whisky em plena tarde de segunda.
Mas dei uma chance ao azar ou “hasard” e pesquei o resto da conversa, já que também não sou van Gogh e tenho duas orelhas. O cara do whisky continuou:
– Agora, só vou beber no sábado. Bebo sábado, domingo e segunda.
Pronto, aí está o mal entendido, o pré-conceito virando conceito ou nem isso, mais e melhor que isso, compreensão.
“A Falta Que Ela me Faz” é um livro de Fernando Sabino, de 1980. Ao contrário do que indica e indicia o título, Sabino não está falando de Zélia Cardoso de Melo, nem da mulher amada. Mas de sua empregada, que estava em férias.
Hoje, Fernando Sabino não escreveria esta crônica. Se escrevesse, seria taxado, processado e condenando como racista, machista, misógino, elitista, taxista, eletricista e claro, bolsonarista.
“A Falta Que Ela me Faz”…
Roubei este lindo título, não para homenagear Fernando Sabino ou qualquer uma de minhas ex-namoradas ou ex-mulheres.
E antes que me acusem de colecionador de mulheres, pegador, machista, racista, misógino, elitista, taxista, eletricista e claro, bolsonarista, cito uma frase bem feminista: “Não podemos ter todas as mulheres que desejamos. Mas, devemos fazer força”.
Furtei este lindo título porque “Ela” é uma multidão de ex-namoradas, ex-mulheres (nunca confundam namorada com mulher, please), amigos, familiares, colegas, patrões, empregados, gente.
“Ela” pra mim é “autre chose”.
Os humanos, mulheres e homens, são seres, existem, há três milhões de anos. Mas, há apenas 200 mil anos, aprendemos a falar.
Antes disso, o homem se comunicava como os outros animais, por grunhidos, reações.
Depois, aprendemos fazer gestos, mímica e rabiscos em cavernas.
Foi aí que os animais pararam e o homem “evoluiu”. Será? Há controvérsias, mas a neurologia explica muito melhor que eu.
Já a Veterinária pode explicar que um cachorro tem repertório de 150/200 palavras.
Conheço humanos que dominam muito menos que isso. Com muito menos que 150/200 palavras, certos políticos foram eleitos. Alguns, com milhões de votos, chegaram até à Presidência da República.
Estou falando, claro, do Bolsonaro. Acharam que eu estava com saudade de Lula e Dilma, né?
Neurologistas também podem explicar que, tirando Pantagruel e Macunaíma, bebês não falam. Exatamente como a mãe do próprio Lula que, segundo o próprio Lula, nasceu analfabeta e desdentada.
Chama o Darwin!
Bebês levam 20 meses para atingir o dom da palavra. Mas, aos 30 meses de idade, sofrem uma explosão de linguagem. Em 10 meses, aprendem de três a quatro mil palavras, regras gramaticais. Performance e façanha que nunca mais conseguirão repetir.
Eu por exemplo, há mil anos, tento aprender grego hebraico e o alemão turíngio da Baixa Germanidade Saxônica.
A primeira infância é exatamente o contrário do fim da vida, com Alzheimer.
Ah! Meninas aprendem a falar cinco meses antes que os meninos. Felizes?
Por ironia e só pra me irritar, contrariar e chatear; antes do avião, os homens viajavam muito mais. Não existia turismo. Viajar é partir sem saber se vai voltar.
Hoje, com todas as facilidades e velocidades, não saímos de casa. Ou não podemos, não conseguimos sair. O mundo ficou menor e, ao mesmo tempo, inalcançável.
Por ironia e só pra me irritar, contrariar e chatear, antes do celular, homens e mulheres se comunicavam muito mais.
Quando, pela última vez, escrevemos uma carta à mão?
Quando, recentemente, nos sentamos, face a face, para uma boa conversa com o mesmo celular desligado?
Conectados à máquinas, nunca estivemos tão desconectados uns dos outros.
Ninguém mais conversa, dialoga, ri, pessoalmente. Até o delicioso e outrora cobiçado sexo virou gênero e virtual.
Pessoas fogem das outras. Órfãos de Babel; pessoas postam lindas mensagens em italiano, francês, inglês e até em português; no Instagram, Twitter, Facebook, mas não falam, não agem. E se acham!
Ah! A falta que a Comunicação nos faz!
PS: Então, fica assim. Falamo-nos daqui 2,8 milhões de anos, OK?

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