Medalha, Medalha, Medalha!

Aproveitando a onda de distribuição de medalhas olímpicas, Jair Bolsonaro se entusiasmou e começou a distribuir medalhas aqui no Brasil, para amigos, aduladores em geral e até mesmo para a própria esposa.  

A farra da Medalha do Mérito Oswaldo Cruz vai agraciar 24 aliados, dos quais 12 são ministros. Mas a entrega mais escabrosa é, sem dúvida, para a primeira-nada (essa é outro zero na família, além dos filhos), Michele Bolsonaro.

Ainnn, e daí? Reage a torcida organizada, cada vez menor, mas ainda fazendo seu barulhinho. E daí que, além do custo para a confecção das medalhas de ouro, prata e bronze tirar milhões dos cofres públicos, num momento em que muita gente pega a fila do osso pra comer, essa homenagem deveria ser para um pessoal mais restrito e que se encaixasse no conceito inicial da premiação criado lá pelos idos de 1970.

A honraria seria uma forma de reconhecimento dada a “autoridades e personagens que, no âmbito das atividades científicas, educacionais, culturais e administrativas relacionadas com a higiene e saúde pública, tenham contribuído, direta ou indiretamente, para o bem-estar físico e mental da população”.

Pela lógica, cientistas e especialmente profissionais da área da Saúde, que estão dando o sangue nessa dura pandemia, deveriam ser lembrados e, merecidamente, estarem carregando uma dessas medalhas no peito.

Mas, curiosamente, só dois profissionais dessa área vão subir ao pódio: um é seu amigo, o cirurgião gástrico Antônio Luiz de Macedo, e o outro é o cirurgião Luiz Henrique Silva Borsato, da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora.  

Já vimos em outras ocasiões que Jair Bolsonaro é um ás (no) em matéria de chocar o público, mas essa de dar medalha pra mulher é pacabá.

Além de receber cheque de Fabrício Queiroz e de fazer selfie com seu cabeleireiro, o que mais essa senhora fez para merecer tal honraria? (Para não parecer injusta, registro aqui que Michele, num arroubo de amor ao próximo, conseguiu arrecadar 148 peças de roupas para distribuir para os pobres de Paris, digo, de Brasília).

Ela definitivamente não é uma mulher de predicados. É no máximo mulher de um sujeito que vem expondo a todo momento seu caráter precário.

Esse sujeito que achou lindo atacar o ex-prefeito de São Paulo, Bruno Covas, que morreu de câncer recentemente.

Isso foi de uma baixeza tão grande que pegou mal até entre seus correligionários.

O mesmo sujeito que mente mais do que os depoentes na CPI, que estão envolvidos em corrupção dentro de um governo que prometeu acabar com a bandalheira.

O sujeito que troca abraços com nazistas dentro do Palácio. O sujeito que quer dar um golpe no país só para realizar seu sonho de consumo de ser um ditador.

Que afronta a Constituição com ameaças de que não vai rolar eleição se não mudarem o sistema das urnas. O sujeito que muda comandos na Polícia Federal por interesse pessoal na intenção de proteger as falcatruas dos filhos e dos amigos dos filhos.

O sujeito que negou vacinas para seu povo, mas que não mediu esforços para produzir toneladas de cloroquina e mandar distribuir para quem precisava de anestésicos e de oxigênio.

É esse sujeito, sem predicados, que continua afrontando instituições e também o povo com essa ridícula entrega de medalha para a primeira-nada.  

Com essas e mais outras estamos na boca do povo. Tanto daqui como lá de fora. Os comentários são de dar vergonha de ser brasileiro.  

Há quem diga que o Brasil se transformou num enorme circo. Há quem diga, porém, que virou um hospício.  

Difícil saber, já que temos um insano que dita as regras e mais de 200 milhões de brasileiros que estão sendo feitos de palhaços.

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