Espetáculos Circenses!

Teve tanto espetáculo circense na semana que a gente poderia estar se divertindo até agora, se não fôssemos nós os palhaços desse circo mambembe.

Começou com a apresentação do contorcionista dono do circo, que levou sua trupe aos Estados Unidos para uma única e desastrosa aparição.

Diante de um público bastante eclético, nosso contorcionista meteu os pés pelas mãos e começou a mentir sob os holofotes do mundo todo, se contorcendo para tentar fazer parecer que seu circo era o melhor do mundo. Que nele a pandemia era tratada com destreza e competência, que os artistas mais pobres recebiam um auxílio emergencial de 800 dólares, que os incêndios que circundam o terreno onde está instalado são pequenos e por ele controlados, que debaixo da lona que ele comanda não tem corrupção (quando aparece uma rachadinha na estrutura chama logo um palhaço para consertar).

Falou também que quem quiser assistir aos espetáculos não precisa se preocupar com o tal passaporte sanitário porque ele é contra obrigar alguém a tomar vacina. Que, por ele, tanto os artistas como o público deviam receber o tratamento precoce contra Covid. (Nesse momento, espectadores estrangeiros que estavam na plateia ficaram estarrecidos porque seus países já tinham desistido de aplicar esses medicamentos desde que a ciência provou por a + b que eles não servem para combater a doença.)

Como ele próprio não tinha se vacinado antes da turnê, o país não o recebeu com bons olhos e foi, de certa forma, discriminado em alguns momentos, como aquele do “jantar” constrangedor quando ele e outros artistas tiveram de comer um pedaço de pizza do lado de fora do restaurante, em pé na calçada.

Teve também de enfrentar uma manifestação de quem não aplaude seu trabalho, e isso o deixou irritado. A irritação atingiu também seu malabarista, um que anda na corda bamba sem saber se se equilibra seguindo os protocolos que o número requer ou se aceita rebolar sobre o picadeiro seguindo as regras do chefe. E, justamente por esse cai não cai, foi vaiado em público. Sua reação foi mandar todo mundo tomar no olho do circo exibindo seu dedo do meio.

No dia seguinte esse artista ficou sabendo que estava contaminado pelo coronavírus e por isso não pôde voltar pra casa com a companhia. Mas não parece que vai ficar mal, pelo contrário. Como se encontra praticamente assintomático, vai ficar desfrutando do luxo de um hotel 5 estrelas, sem gastar um tostão furado do seu bolso.

Enquanto esses espetáculos eram apresentados lá fora, um circo temporário cuidava do entretenimento do público daqui.

Esse circo específico foi montado para desmontar esquemas ilícitos que envolvem a classe. Nele, tirando os protagonistas fixos, os espetáculos são proporcionados por artistas convidados.

Esses chegam lá e logo querem o papel de mágico. Só que, no lugar de tirarem coelhos da cartola, atiram facas e fazem desaparecer provas de seus malfeitos.

Isso tem exaltado os ânimos dos protagonistas, que se dividem em duas partes: os que exigem punição para os que estão emporcalhando a classe circense e os que defendem os malfeitores.

Claro que tem um momento em que eles quase chegam às vias de fato. E foi isso que aconteceu nesta última quinta-feira quando o domador de leões se desentendeu com o anão, que logo se transformou num gigante para defender dois malfeitores.

Um deles era um empresário que ele chamou de “decente”. (Sabe-se que o “decente” é um sonegador de impostos que deve R$ 2,5 milhões para a União. E que apesar de ter perdido a mãe para a Covid, gravou um vídeo em defesa do tratamento ineficaz só pra puxar o saco do dono do outro circo, piorando ainda mais sua imagem. Isso está lhe rendendo críticas nas redes sociais e já o lançaram como protagonista do filme “Matou a Mãe e Foi Inaugurar Loja”).

Diante disso, o domador se exaltou e o chamou de vagabundo, ao que ele reagiu mandando o “ladrão picareta” para os quintos duzinferno.

A semana ainda não acabou. Portanto, seguimos no aguardo de novos espetáculos, nos perguntando: O Palhaço, o que é? Ou melhor: Quem é?

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