Carta aberta ao Sandro… esteja ele onde estiver…


Sandro,
Hoje está fazendo dois anos que você partiu, deixando a gente aqui morrendo de saudades.
E como só agora me sinto em condições de “falar” com você, resolvi escrever essa carta (coisa mais fora de moda! Troque por e-mail) para te por a par dos últimos acontecimentos daqui da terra.
Você não deve se lembrar de tudo o que aconteceu antes da sua partida. Três dias depois que passou por uma cirurgia de nove horas, para a desobstrução das vias biliares, aconteceu a maior manifestação popular em todas as cidades do Brasil pedindo o impeachment da Dilma. Como eu estava te acompanhando lá no hospital 9 de Julho, aproveitei o intervalo da visita para dar uma espiada na Avenida Paulista.
Estava linda! Milhares de pessoas chegando vestindo as cores do Brasil, desfilando bandeiras e todas cheias de esperança. Me emocionei e também me enchi de esperança, porque naquele momento estavam me ligando do hospital avisando que você seria transferido para um quarto. Corri pra lá pra te esperar.
Você chegou bem e, eu fui contando animada o que tinha visto. Uma luz de esperança se acendia para todos nós, já que todas as biópsias do pâncreas, até então, tinham sido negativas para câncer, assim você passaria só mais dois dias internado, e então iríamos pra casa.
Mas isso não aconteceu. No dia seguinte você apresentou sintomas de uma pneumonia provocada por aspiração e teve de voltar pra UTI.
Depois de quase vinte dias lá, finalmente a pneumonia se foi, mas o resultado da biópsia feita durante a cirurgia, tinha chegado com o resultado que ninguém queria saber. E você, felizmente, não soube porque estava entubado e sedado. Só saiu da sedação por dois dias, tempo suficiente para dizer que nos amava. Pediu pra chamar sua filha, e aí entendemos que essa seria a última vez que o veríamos acordado. Depois você entrou de novo num sono profundo e lá ficou.
Nem soube que a manifestação teve o resultado esperado e que a presidenta foi finalmente impichada. Não ficou sabendo da calhordice que um atorzinho de quinta categoria, fez quando soube do seu falecimento. Nem vale a pena contar os detalhes. (Por outro lado, amigos de todas as partes se solidarizaram com a gente, e todos viramos notícia).
Também não ficou aqui pra ver que a enxurrada de corrupção não para de passar por debaixo da ponte Sérgio Moro que fica lá em Curitiba. Lembra como você, sempre atento a todos os acontecimentos, ajudava a combater os malfeitos desses políticos sujos? Era um trabalho de formiguinha, sabemos, mas você colaborou muito pra que isso acontecesse, porque suas opiniões sempre mereceram respeito de todos, por serem consistentes, fundamentadas e objetivas. Ia direto na ferida!
Outra coisa que você não chegou a ver (mas certamente sabia que isso poderia acontecer), é o que o nosso STF anda fazendo por aqui. O Moro manda prender e a turma togada manda soltar. Aquele um, o chefe da quadrilha, não só não foi preso (já está condenado em 2ª instância), como está andando por aí fazendo campanha para a presidência.
Aqui em casa, as coisas vão indo. É difícil não ter você por aqui nos momentos difíceis ( nos fáceis também). Às vezes até peço sua ajuda, mas não sei se você me ouve.
A sua querida “pinxeza”, que nunca tocou no assunto “partida do vô”, só agora conseguiu falar de você. Outro dia, durante o jantar, ela começou a espirrar seguidamente e lembrou que você também fazia isso. Completei dizendo que eles faziam parte de uma série de 17 espirros e ela sorriu.
Ah, estava me esquecendo de contar!
Em novembro do ano passado você recebeu uma belíssima homenagem da Câmara Municipal de Jundiaí, que partiu de uma proposta do agora vereador, o seu amigo, doutor Wagner Ligabó. Foi difícil receber o diploma das mãos dele. Na hora não consegui ver um vereador. Só vi o médico que por várias vezes deixou seu consultório aqui em Jundiaí, pra acompanhar de perto seu estado de saúde lá em São Paulo e, incontidamente, chorei em público.
De resto, estamos seguindo a vida!
Saudades, sempre!
Beijos!

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